Cultura

Carnaval 2027: conheça os sambas-enredo das 12 escolas do Grupo Especial do Rio

Samba (Foto: Liesa | Divulgação)

Os principais temas que vão passar pela Marquês de Sapucaí em fevereiro.

Foto: Liesa | Divulgação

As 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro já definiram os sambas-enredo que levarão para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. Os desfiles serão realizados nos dias 7, 8 e 9 de fevereiro, com quatro agremiações por noite. A campeã de 2026, Unidos do Viradouro, desfilará na terça-feira (9), enquanto a Estação Primeira de Mangueira fechará o último dia.

Os enredos de 2027 reforçam temas ligados à ancestralidade, à cultura afro-brasileira, à literatura nacional e a personagens históricos. Entre os destaques estão homenagens a Darcy Ribeiro, Monarco e Xica da Silva, além de adaptações de obras como Torto Arado e A Cabeça do Santo.

O álbum oficial com os sambas das 12 escolas já teve as gravações concluídas e será lançado nas plataformas digitais em novembro. Cada agremiação levou cerca de 60 pessoas para as gravações, entre ritmistas, compositores, músicos, Velha Guarda, musas e casais de mestre-sala e porta-bandeira.

“A gente buscou fazer um projeto mais imersivo, trazendo mais emoção. Resgatamos o ao vivo, com todos os naipes gravando juntos. Isso deixa o álbum mais vivo. É a pegada que o sambista gosta de ver”, disse Helio Motta, diretor-executivo da Edimusa, gravadora da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), em declaração publicada pela CNN Brasil sobre a gravação do álbum de 2027.

Domingo (7): Maricá estreia e Vila leva “Torto Arado”

A União de Maricá abrirá os desfiles com “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”, homenagem ao antropólogo, educador e escritor brasileiro. A escola chega ao Grupo Especial depois de conquistar a Série Ouro em 2026.

Na sequência, a Beija-Flor de Nilópolis apresenta “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, enquanto o Paraíso do Tuiuti leva para a avenida “Ciata: a Mãe Preta do Samba”, com referência à trajetória de Tia Ciata e à formação cultural do samba no Rio de Janeiro.

A Unidos de Vila Isabel fecha a primeira noite com “Torto Arado – Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado no romance de Itamar Vieira Junior. Publicado em 2019, o livro ultrapassou a marca de 1 milhão de exemplares vendidos e venceu prêmios como Jabuti, Oceanos e LeYa. O desfile será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, em parceria com o pesquisador Vinicius Natal.

Segunda-feira (8): literatura e Xica da Silva ganham espaço

A Mocidade Independente de Padre Miguel abre a segunda noite com “Latinamente Independente – Nosso Norte é o Sul em Ramanifesto”. Na sequência, a Unidos da Tijuca apresenta “A Cabeça do Santo”, inspirado no livro de Socorro Acioli.

O carnavalesco Lucas Milato afirmou que a opção pela literatura também pode ampliar o papel cultural das escolas.

“Como a gente de uma instituição cultural, promover essa pluralidade, essa ação de incentivo à leitura, é muito importante”, disse Lucas Milato, carnavalesco da Unidos da Tijuca, em entrevista à CNN Brasil sobre o enredo baseado em A Cabeça do Santo.

O Acadêmicos do Salgueiro será a terceira escola da noite e apresentará “Laroyê Xica da Silva: A História por Trás da História”, uma releitura da trajetória de Xica da Silva. A Imperatriz Leopoldinense fecha a segunda-feira com “A Memória do rei e o sumiço de Dona Júlia”.

Terça-feira (9): Portela, Viradouro, Grande Rio e Mangueira

A Portela abre a última noite com “Ao Mestre, com Carinho”, homenagem a Hildemar Diniz, o Monarco, um dos principais nomes da história da escola. O samba oficial contou com participação de Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira, Tereza Cristina, Paulinho da Viola e dos filhos de Monarco, Juliana, João e Mauro Diniz.

A campeã de 2026, Unidos do Viradouro, desfila em seguida com “Griô”. A Acadêmicos do Grande Rio será a terceira, levando “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e Estrela Negra da Liberdade”.

A Mangueira fecha o Grupo Especial com “Oyá Por Nós”, homenagem a Oyá, ou Iansã. Será a primeira vez na história da escola que todo o desfile terá uma narrativa integralmente afrorreligiosa dedicada a um orixá.

“Tenho mais de 50 anos de Mangueira e nunca vi algo parecido em uma final”, disse Guanayra Firmino, presidente da Estação Primeira de Mangueira, à CNN Brasil após a escolha do samba-enredo para 2027.

A faixa oficial também ganhou participação de Maria Bethânia, Alcione, Leci Brandão e Daniela Mercury.

Os 12 sambas-enredo do Carnaval 2027

  1. União de Maricá — “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro”
  2. Beija-Flor de Nilópolis — “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”
  3. Paraíso do Tuiuti — “Ciata: a Mãe Preta do Samba”
  4. Unidos de Vila Isabel — “Torto Arado – Sobre a terra há de viver sempre o mais forte”
  5. Mocidade Independente de Padre Miguel — “Latinamente Independente – Nosso Norte é o Sul em Ramanifesto”
  6. Unidos da Tijuca — “A Cabeça do Santo”
  7. Acadêmicos do Salgueiro — “Laroyê Xica da Silva: A História por Trás da História”
  8. Imperatriz Leopoldinense — “A Memória do rei e o sumiço de Dona Júlia”
  9. Portela — “Ao Mestre, com Carinho”
  10. Unidos do Viradouro — “Griô”
  11. Acadêmicos do Grande Rio — “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e Estrela Negra da Liberdade”
  12. Estação Primeira de Mangueira — “Oyá por Nós”

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