Casa, carro, investimentos e dinheiro guardado costumam ser os primeiros itens lembrados quando alguém pensa no próprio patrimônio. Mas uma parte importante dessa riqueza raramente entra na conta: o dinheiro que ainda será recebido pelo trabalho.
Uma pessoa que ganha R$ 5 mil por mês e ainda tem 30 anos de vida profissional pela frente pode receber, em uma conta simples, R$ 1,8 milhão em salários futuros. Aos 40 anos, quem recebe R$ 8 mil mensais e pretende trabalhar por mais 25 anos tem potencialmente R$ 2,4 milhões pela frente.
“Quando falamos em patrimônio, normalmente pensamos no que a pessoa já conquistou: a casa, o carro, os investimentos. Mas existe outro patrimônio que pode ser ainda maior, que é a capacidade que ela terá de gerar renda durante os próximos anos. Se essa renda deixa de existir de uma hora para outra, todo o planejamento financeiro da família pode mudar”, explicou Gustavo Zanon, CEO da Seguralta.
A discussão acontece em um momento de expansão dos seguros de pessoas. Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), elaborados a partir de informações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), mostram que o segmento movimentou R$ 41,6 bilhões em prêmios no primeiro semestre de 2026, alta de 10% na comparação anual.
Apesar do crescimento, apenas 18% dos brasileiros com mais de 18 anos possuem seguro de vida, segundo a FenaPrevi.
“Não existe um número que sirva para todo mundo. O ponto de partida deveria ser outra pergunta: se a minha renda parar amanhã, quem depende dela e por quanto tempo essas pessoas conseguiriam manter os compromissos que existem hoje?”, afirmou Zanon.
Proteção não envolve apenas morte
Os seguros contra doenças graves também ganharam espaço. No primeiro trimestre de 2026, a arrecadação nessa modalidade cresceu 21%, enquanto as indenizações avançaram 24,2%.
Dependendo do contrato, as coberturas podem incluir morte, invalidez, doenças graves e incapacidade temporária. Isso amplia a discussão sobre perda de renda, já que uma pessoa pode continuar viva e ainda assim ter sua capacidade de trabalhar reduzida.
“Seguro de vida não deveria ser pensado apenas como algo que será utilizado pela família depois da morte. Existem situações em que a própria pessoa pode precisar de proteção financeira enquanto está viva”, disse Zanon.
Para o planejamento financeiro, a renda futura não substitui reserva de emergência, investimentos ou previdência, mas ajuda a dimensionar um patrimônio que normalmente passa despercebido.
“Protegemos aquilo que conseguimos enxergar. O carro tem preço, a casa tem valor de mercado e o investimento aparece no aplicativo. A renda futura não aparece em lugar nenhum, mas pode representar milhões de reais ao longo da vida”, concluiu Gustavo Zanon.
