Belém (PA) recebe neste domingo (11) a 234ª edição do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do Brasil e do mundo. A expectativa da Diretoria da Festa de Nazaré é de que mais de 2,5 milhões de pessoas participem da principal procissão pelas ruas da capital paraense.
Realizado desde 1793, o Círio é uma celebração em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. O ponto alto ocorre sempre no segundo domingo de outubro, quando a imagem peregrina percorre as ruas de Belém em meio a milhões de fiéis.
O evento, porém, vai muito além de uma única procissão. Em 2026, o calendário oficial reúne 14 procissões, além de missas, romarias, atividades culturais e ações religiosas que movimentam a cidade durante vários dias.
A palavra “círio” está historicamente associada a grandes velas de cera usadas em cerimônias religiosas. Em Belém, o nome passou a identificar todo o conjunto de manifestações de fé em torno de Nossa Senhora de Nazaré.
A tradição está ligada à história da descoberta de uma pequena imagem da santa pelo caboclo Plácido, às margens do igarapé Murutucu, no local onde hoje está a Basílica Santuário de Nazaré. O percurso da procissão reproduz simbolicamente essa história.
Para os paraenses, o Círio também tem uma dimensão familiar e cultural tão forte que muitas vezes é chamado de “Natal dos paraenses”. Famílias se reencontram, casas recebem parentes e amigos e a cidade muda completamente de ritmo durante o período.
“O Círio de Nazaré é um acontecimento que envolve, direta ou indiretamente, toda a população paraense”, registra o dossiê oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan.
O documento destaca ainda que a celebração pode ser compreendida sob diferentes dimensões, entre elas religiosa, cultural, turística, estética e social.
Patrimônio do Brasil e da humanidade
A importância do Círio ultrapassa as fronteiras do Pará.
Em 2004, a celebração foi registrada pelo Iphan no Livro das Celebrações como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em dezembro de 2013, recebeu também da Unesco o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Ao reconhecer o Círio, a Unesco destacou a diversidade de crenças e práticas culturais presentes na festa, a transmissão das tradições entre gerações e a participação de diferentes grupos sociais.
O Iphan classifica a celebração como uma das maiores concentrações religiosas do mundo e registra que a procissão principal reúne tradicionalmente mais de 2 milhões de pessoas.
Entre os elementos mais conhecidos do Círio está a corda que acompanha a berlinda onde segue a imagem de Nossa Senhora.
Milhares de promesseiros tentam acompanhar a procissão segurando a corda como forma de agradecimento, sacrifício ou cumprimento de promessa.
A berlinda, a corda, os carros dos milagres, as velas e as manifestações populares ao longo do percurso formam parte do patrimônio simbólico da festa.
Outro elemento central é a imagem peregrina, que participa das diferentes romarias realizadas durante o período do Círio.
Uma cidade mobilizada
A dimensão da festa exige uma grande operação de segurança e trânsito.
Em 2026, somente a Polícia Rodoviária Federal mobilizou 110 policiais e 68 viaturas para acompanhar o traslado da imagem e a Romaria Rodoviária. Esta será a 35ª participação da corporação na operação do Círio.
A organização envolve ainda forças estaduais, órgãos municipais, voluntários, equipes religiosas e diversos serviços públicos.
O coordenador do Círio 2026, Antônio Sousa, destacou ainda no início da organização a dimensão do planejamento necessário para a festividade.
“Agora vamos dar início às reuniões gerais e com cada diretoria executiva para fecharmos o calendário de eventos e o planejamento para 2026”, afirmou Sousa na posse da diretoria responsável pela edição deste ano.
No domingo, porém, depois de meses de preparação, o protagonismo volta para os fiéis.
