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Brasil lança campanha contra pirataria audiovisual com apoio de grandes empresas

Combate a pirataria no Brasil (Foto: Reprodução/Canva)

Campanha contra a pirataria audiovisual começa no fim de outubro, com apoio de emissoras, operadoras e cinemas para conscientizar o público.

A Federação da Indústria e do Comércio Audiovisual (FICA) anunciou uma campanha nacional de conscientização contra a pirataria audiovisual, com lançamento previsto para o fim de outubro. A iniciativa terá apoio de empresas de mídia, telecomunicações e exibição cinematográfica, com anúncios na televisão aberta e por assinatura, no rádio, em espaços publicitários externos e nos cinemas.

O anúncio ocorreu durante o RioMarket, área de negócios do Festival do Rio. Nesta primeira etapa, a campanha será veiculada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três estados mais populosos do Brasil. Segundo Gustavo Bastos, CEO da agência de publicidade 11:21, a iniciativa poderá ser ampliada para todo o país. A agência desenvolveu a campanha sem cobrar pelo serviço.

A ação pretende alertar a população sobre os impactos econômicos da distribuição e do consumo de conteúdo ilegal. Walkiria Barbosa, presidente da FICA, afirmou à revista Variety que a pirataria provoca perdas expressivas de receita e prejudica diferentes setores da indústria audiovisual. Ela também destacou que muitos consumidores não compreendem as consequências do uso de dispositivos de TV não autorizados.

Para se aproximar do público, a campanha utilizará referências a filmes e séries, incluindo personagens inspirados em produções piratas. Bastos explicou que a estratégia busca evitar o tom exclusivamente repressivo adotado por outras iniciativas antipirataria. A proposta é utilizar uma linguagem cinematográfica para despertar o interesse dos espectadores e estimular a conscientização.

O Disque Denúncia, serviço brasileiro que recebe informações anônimas sobre possíveis crimes, também participa da iniciativa. A parceria pretende incentivar a população a comunicar atividades suspeitas sem precisar revelar a própria identidade.

Um estudo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citado por Jonas Antunes Couto, presidente da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), apontou perdas anuais de R$ 12 bilhões provocadas pela pirataria no Brasil. O levantamento também identificou práticas de consumo de conteúdo ilegal em aproximadamente 4,5 milhões de domicílios.

Entre as principais preocupações do setor estão as chamadas TV boxes ilegais, dispositivos que permitem acessar filmes, séries e transmissões esportivas sem autorização dos detentores dos direitos. Além dos prejuízos financeiros para produtoras, distribuidoras, plataformas de streaming e operadoras de televisão, esses equipamentos podem apresentar riscos à segurança digital, como exposição de dados pessoais e instalação de programas maliciosos.

Empresas como a Claro apoiam a campanha e destacam os desafios para combater a distribuição ilegal de conteúdo. Fernando Magalhães, diretor de programação e conteúdo da operadora, afirmou que uma operação antipirataria realizada na Argentina no ano anterior foi seguida por um aumento superior a 20% nas vendas de pacotes de TV por assinatura no Brasil, nos três meses seguintes. Segundo ele, o combate à pirataria exige esforços contínuos, já que as práticas ilegais também evoluem com a tecnologia.

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