Os protestos na França escalaram nesta terça-feira (6), após confrontos entre estudantes e a polícia deixarem dois adolescentes gravemente feridos. Um jovem de 15 anos perdeu a mão durante um confronto em Lens, no norte do país. Outro estudante, de 14 anos, foi atingido por um disparo de um lançador de granadas de gás lacrimogêneo.
A mobilização reúne estudantes, professores e pais em diferentes cidades francesas. Segundo os organizadores, 450 mil pessoas participaram dos atos nesta terça-feira. O Ministério do Interior, porém, estima 250 mil manifestantes. A mobilização é considerada a maior onda de protestos estudantis no país em décadas.
Em Lens, um adolescente de 15 anos teve a mão e parte do antebraço dilacerados após pegar uma granada de dispersão utilizada pela polícia durante os confrontos. O prefeito François-Xavier Lauch informou que uma investigação foi aberta para apurar o caso.
Outro adolescente, identificado como Eden L., de 14 anos, ficou gravemente ferido após ser atingido à queima-roupa por um disparo de um lançador de granadas de gás lacrimogêneo. O episódio ocorreu na semana passada, próximo à escola profissionalizante Château d’Epluches, em Saint-Ouen-l’Aumône.
Vídeos publicados nas redes sociais mostraram três policiais confrontando Eden nos arredores de um protesto. Segundo familiares e advogados, o adolescente não participava da manifestação. O caso ampliou as críticas contra a atuação das forças de segurança durante os atos.
A Comissão Consultiva Nacional de Direitos Humanos da França (CNCDH) demonstrou preocupação com o uso da força policial e com processos judiciais contra jovens. A entidade pediu moderação às autoridades. A Anistia Internacional também criticou a resposta policial e defendeu a proteção de estudantes durante as manifestações.
Os protestos começaram no mês passado, nos subúrbios pobres de Paris, e se espalharam pelo país. Estudantes e professores reivindicam mais recursos para a educação, reformas em escolas antigas, substituição de professores ausentes e mudanças na duração do dia letivo. O governo afirma que o movimento foi tomado por grupos externos e passou a registrar episódios de violência.
Diante da pressão, o presidente Emmanuel Macron convocou ministros para discutir a resposta aos protestos. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu também determinou a apresentação de propostas para atender às principais reivindicações até o fim de outubro. Desde o início da mobilização, o Ministério do Interior afirma ter prendido 6.100 pessoas, em sua maioria menores de idade.
