Com a previsão de chuvas acima da média histórica em áreas do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Sudeste de Minas Gerais e Rio de Janeiro durante outubro, aumenta também a atenção com um problema cotidiano em locais de grande circulação: superfícies molhadas e o risco de escorregamentos.
Supermercados, lojas, centros comerciais, restaurantes e outros estabelecimentos recebem água trazida pelos calçados e guarda-chuvas. Próximo às entradas, poucos minutos de movimento podem ser suficientes para modificar as condições do piso.
Mas a chuva é apenas parte do problema. Resíduos, gordura, características do revestimento, equipamentos que liberam água e até procedimentos inadequados de limpeza podem contribuir para tornar uma superfície mais escorregadia.
O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos, o NIOSH, recomenda ao comércio medidas como manter pisos secos sempre que possível, utilizar tapetes absorventes nas entradas, agir rapidamente diante de derramamentos e evitar produtos que deixem resíduos escorregadios.
Um escorregão aparentemente simples pode provocar contusões, fraturas e outros traumas, especialmente entre idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.
“É preciso ficar atento a sintomas como dor, aumento de volume do local traumatizado, impotência funcional do membro”, explica o ortopedista Carlos Roberto Galia, chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Moinhos de Vento.
O especialista cita ainda inchaço articular, deformidades e suspeita de traumatismo craniano entre situações que justificam avaliação médica.
Em períodos de maior umidade, a atenção à prevenção ganha peso justamente porque o risco pode estar em situações banais: uma entrada molhada, um corredor recém-limpo ou uma pequena quantidade de água que passa despercebida.
Limpar mais vezes nem sempre significa mais segurança
Quando a chuva aumenta, uma reação comum dos estabelecimentos é intensificar a frequência da limpeza. O aumento da rotina pode ajudar, mas não resolve sozinho o problema.
“Quando começa o período de chuva, uma reação comum é simplesmente aumentar a frequência da limpeza. Mas segurança não significa apenas limpar mais vezes. É preciso entender como aquela superfície responde, o que está sendo usado e como água e sujeira estão chegando até o piso. Uma operação que só reage quando o chão já está molhado está sempre um passo atrás”, afirma Andréa Stacco, responsável pela gestão e pelo relacionamento com clientes da Veneza Higienista.
A entrada do estabelecimento é o ponto mais evidente, mas não necessariamente o único.
Em supermercados, por exemplo, corredores próximos ao hortifrúti, refrigeradores, freezers, balcões de alimentos e áreas de reposição também podem ter contato frequente com líquidos.
O próprio NIOSH recomenda atenção a equipamentos e operações capazes de transportar água para os locais de circulação.
Outro fator importante está no revestimento.
Cerâmica, porcelanato, cimento e pisos industriais podem apresentar respostas diferentes quando entram em contato com água, gordura e produtos químicos.
Por isso, aumentar a concentração de um produto ou substituir uma solução de limpeza sem avaliar a superfície pode não produzir o resultado esperado.
“Revestimentos diferentes respondem de maneiras diferentes à água, aos contaminantes e aos produtos utilizados. Antes de alterar produto, concentração ou procedimento, é preciso avaliar o conjunto. Um processo inadequado pode interferir justamente na condição que se pretende melhorar”, afirma Valdir Stacco, responsável pelo desenvolvimento técnico das formulações da Veneza.
Valdir e Andréa Stacco atuam há mais de 33 anos no desenvolvimento de soluções voltadas à limpeza profissional. A Veneza mantém laboratório próprio para formulações utilizadas em operações comerciais e industriais.
A rotina de prevenção não deve começar apenas quando alguém identifica água acumulada.
Tapetes absorventes nas entradas, inspeções frequentes, sinalização de áreas temporariamente molhadas e retirada rápida de resíduos ajudam a reduzir situações de risco. Também é necessário identificar a origem da umidade.
Nem sempre ela vem diretamente da chuva. Pode haver vazamentos, condensação em refrigeradores, gelo derretendo, líquidos provenientes de produtos ou excesso de água utilizado durante a própria limpeza.
