A coligação de Eduardo Paes (PSD) pediu nesta terça-feira (6) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite a desistência apresentada por Anthony Garotinho (Republicanos). Com isso, a campanha tenta manter os 274.411 votos recebidos pelo ex-governador no cálculo da eleição para o governo do Rio.
Segundo a coligação, Garotinho não poderia desistir do recurso depois de conhecer o resultado das urnas. Além disso, a campanha afirma que a retirada desses votos mudaria a base de votos válidos e poderia alterar o desfecho do primeiro turno.
No resultado oficial, Douglas Ruas (PL) terminou a disputa com 49,27% dos votos válidos. Já Paes ficou em segundo lugar, com 42,76%. Por isso, os dois avançaram ao segundo turno.
Decisão pode mudar o cenário eleitoral
O centro da disputa está no efeito jurídico da desistência de Garotinho. Se o TSE aceitar o pedido e retirar seus votos da conta, o total de votos válidos diminui. Nesse caso, Douglas Ruas pode ultrapassar a maioria absoluta necessária para vencer ainda no primeiro turno. Portanto, a decisão do tribunal pode alterar diretamente o rumo da eleição.
A campanha de Paes, porém, sustenta que essa mudança não deveria ocorrer depois da votação. Para a coligação, permitir a retirada dos votos após a divulgação do resultado abriria espaço para uma mudança relevante na totalização.
Além disso, a defesa de Paes argumenta que o momento da desistência precisa ser levado em conta. O pedido surgiu somente depois de o resultado das urnas já estar conhecido.
MP Eleitoral apoia a desistência
A posição da campanha de Eduardo Paes contraria o parecer do Ministério Público Eleitoral. Nesta terça-feira, o órgão defendeu que o TSE aceite a desistência apresentada por Garotinho. Segundo o MP Eleitoral, a candidatura do ex-governador já enfrentava um impedimento jurídico. O órgão cita uma condenação por improbidade administrativa que resultou na suspensão de seus direitos políticos.
Por isso, o Ministério Público entende que os votos recebidos por Garotinho devem ser anulados. Além disso, o órgão avalia que o julgamento do recurso produziria efeito semelhante ao da desistência. O parecer também sustenta que a suspensão dos direitos políticos alcança a eleição de 2026. Assim, na visão do MP Eleitoral, Garotinho não reuniria as condições necessárias para disputar o pleito.
Segundo turno segue mantido por enquanto
Até que o TSE conclua a análise, Douglas Ruas e Eduardo Paes seguem classificados para o segundo turno. De acordo com o resultado oficial, Ruas recebeu 4.271.199 votos. Paes, por sua vez, somou 3.706.984.
No entanto, a discussão sobre os votos de Garotinho ainda pode mudar esse quadro. Se eles permanecerem na base de cálculo, o segundo turno continua mantido. Caso o tribunal os anule, será necessário recalcular o percentual dos candidatos.
Assim, a decisão do TSE passou a ter impacto direto sobre o futuro da eleição no Rio. O julgamento definirá se a disputa seguirá para uma nova votação ou se o resultado poderá ser encerrado ainda no primeiro turno.
