Em meio às negociações para a segunda etapa da disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou nesta terça-feira (6) que pretende buscar alterações na Constituição caso conquiste a Presidência. O senador destacou o crescimento de parlamentares de direita no Congresso eleito e afirmou que pretende usar essa nova composição como base para avançar sua agenda política.
Flávio destacou o desempenho da direita nas eleições legislativas e afirmou que o novo Congresso terá força para eleger os presidentes da Câmara e do Senado alinhados ao grupo político. Na sequência, relacionou essa composição à possibilidade de alterar a Constituição e, segundo suas palavras, “redemocratizar esse país”.
“Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, afirmou.
Apesar da declaração, o candidato não apresentou quais pontos da Constituição pretende modificar. A mudança do texto constitucional ocorre por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs), que precisam seguir regras específicas e alcançar uma maioria qualificada no Congresso.
O resultado das eleições de 2026 fortaleceu o PL, partido de Flávio Bolsonaro, que elegeu 121 deputados e chegou a 28 senadores, garantindo as maiores bancadas da Câmara e do Senado.
Apesar disso, a legenda não tem votos suficientes sozinha para alterar a Constituição. Uma PEC precisa de 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Portanto, Flávio dependeria de acordos com outras siglas. Ainda assim, a nova composição do Congresso deixou a direita em uma posição mais favorável para negociar essas mudanças.
Flávio recebe novos apoios no segundo turno
A declaração ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro recebeu novos apoios para a disputa contra Lula. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que participou do primeiro turno, anunciou apoio ao candidato do PL. Na ocasião, Caiado afirmou que pretende trabalhar pela vitória de Flávio e mobilizar seus aliados em Goiás.
Da mesma forma, Romeu Zema (Novo), que também concorreu à Presidência, declarou apoio ao senador. O governador de Minas Gerais afirmou que não pretende ficar neutro na disputa e apresentou a escolha como uma forma de derrotar o PT.
Além deles, o ex-presidente Michel Temer (MDB) também manifestou apoio a Flávio Bolsonaro. Temer afirmou que o resultado das urnas demonstrou, na avaliação dele, um desejo de renovação na política brasileira.
Enquanto isso, partidos de direita e centro-direita também discutem uma posição conjunta para o segundo turno. Com isso, Flávio tenta ampliar sua base de apoio antes da votação decisiva.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. A diferença entre os dois candidatos ficou pouco acima de dois milhões de votos. O segundo turno da eleição presidencial acontece em 25 de outubro.
