A Globo vai ampliar a presença das novelas no ambiente digital em 2027. A emissora pretende lançar um spin-off vertical para cada novela inédita, transformando histórias curtas para celulares em uma parte fixa de sua estratégia de dramaturgia.
A decisão ganhou força depois da repercussão de “Loquinha”, produção derivada de “Três Graças”. O projeto mostrou que personagens das novelas podem continuar suas histórias em conteúdos produzidos especialmente para plataformas digitais.
Com isso, os microdramas deixam de aparecer apenas como experiências isoladas. A proposta é criar histórias paralelas que complementem as novelas tradicionais e mantenham o público conectado aos personagens também fora da televisão.
Sucesso de ‘Loquinha’ impulsiona novo formato
“Loquinha” nasceu como uma extensão do universo de “Três Graças”. A produção apostou em episódios rápidos e desenvolvidos para o consumo vertical, formato comum em aplicativos e redes sociais acessados pelo celular. A resposta do público ajudou a Globo a ampliar o projeto. Em vez de limitar os conteúdos curtos a determinadas produções, a emissora decidiu levar a estratégia para todas as novelas inéditas previstas para 2027.
Além disso, os spin-offs permitem explorar personagens que nem sempre recebem espaço suficiente na trama principal. Assim, histórias secundárias podem ganhar desenvolvimento próprio sem interferir diretamente nos capítulos exibidos na televisão.
Histórias serão produzidas especialmente para celulares
O formato vertical muda a maneira de produzir e consumir dramaturgia. As imagens acompanham a posição natural da tela do celular e os episódios costumam apresentar duração menor do que capítulos tradicionais. Por isso, as histórias precisam avançar rapidamente e apresentar conflitos de maneira mais direta. A proposta busca atender principalmente ao público acostumado a consumir vídeos curtos durante diferentes momentos do dia.
Ao mesmo tempo, a Globo pode usar esses conteúdos para ampliar a presença de suas novelas nas redes e plataformas digitais. Dessa forma, a relação com uma determinada trama não precisa terminar quando o capítulo exibido na TV chega ao fim.
Globo já vinha testando os microdramas
Antes de transformar o formato em uma estratégia para toda a dramaturgia, a Globo já experimentava produções verticais ligadas às suas novelas. Alguns projetos funcionaram como extensões de personagens, enquanto outros ajudaram a apresentar histórias antes da estreia de uma produção principal.
Esses testes permitiram à emissora avaliar a resposta do público e desenvolver uma linguagem própria para o formato. Além disso, mostraram que personagens conhecidos podem ganhar novas narrativas sem a necessidade de produzir uma novela tradicional completa.
A empresa também vem aumentando o espaço dos microdramas no Globoplay. Assim, as histórias verticais passam a integrar uma estratégia que envolve televisão, streaming e consumo de conteúdo pelo celular.
Personagens conhecidos podem ganhar novas histórias
Uma das possibilidades abertas pelo formato é recuperar personagens que fizeram sucesso em novelas anteriores. Em vez de produzir uma continuação completa, a Globo pode desenvolver narrativas menores voltadas a determinado personagem ou núcleo.
A estratégia também permite apresentar acontecimentos que ocorreram antes ou depois da história principal. Dessa forma, o público pode conhecer outros momentos da trajetória de personagens que já fazem parte do universo das novelas.
Ao mesmo tempo, produções inéditas poderão usar seus spin-offs para aprofundar novos rostos. Isso cria mais espaço para histórias paralelas e amplia as possibilidades narrativas de cada novela.
Novelas verticais ganham espaço no streaming
Os chamados microdramas cresceram nos últimos anos, principalmente em plataformas voltadas ao consumo por smartphones. O modelo aposta em episódios curtos, ritmo acelerado e histórias construídas para incentivar o público a acompanhar vários capítulos em sequência.
A Globo busca adaptar esse comportamento à tradição brasileira das novelas. Em vez de substituir o formato convencional, porém, as produções verticais funcionarão como uma extensão dele.
Assim, a emissora mantém seus capítulos tradicionais na televisão enquanto oferece conteúdos complementares em outras telas. A intenção é alcançar diferentes hábitos de consumo sem abandonar a estrutura que consolidou a dramaturgia da empresa.
Estratégia passa a fazer parte das novelas de 2027
A principal mudança será a regularidade dos lançamentos. A partir de 2027, cada novela inédita terá a possibilidade de expandir seu universo por meio de uma produção vertical própria. A Globo ainda deverá apresentar detalhes sobre quais personagens estarão nos primeiros projetos e como os spin-offs serão distribuídos. Também poderá variar a proposta de acordo com a história de cada novela.
Com a expansão, os microdramas deixam a fase de testes e passam a ocupar um espaço mais definido no planejamento da emissora. O movimento reforça a tentativa de aproximar a dramaturgia tradicional dos formatos que ganharam força nas telas dos celulares.
