O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou neste domingo (11) de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo. Durante o discurso, ele pediu que apoiadores conversem com eleitores que não votaram no 1º turno. Segundo Lula, esse grupo pode ter papel importante na disputa marcada para 25 de outubro.
Lula citou o número de pessoas que se abstiveram ou não participaram da primeira votação. Na avaliação dele, a campanha precisa ampliar o diálogo com esses eleitores antes do 2º turno. Por isso, o presidente defendeu uma mobilização mais direta de apoiadores nas próximas semanas.
O ato ocorreu na região do Masp e reuniu apoiadores, aliados e lideranças políticas. Além disso, participaram entidades ligadas à educação, à ciência e à tecnologia. A mobilização também serviu para apresentar pautas defendidas por esses grupos para os próximos anos.
Lula pede busca por eleitores que não votaram
Durante o discurso, Lula afirmou que milhões de brasileiros ficaram fora da votação no 1º turno. Por isso, defendeu que apoiadores procurem essas pessoas e conversem sobre a importância da participação eleitoral. O presidente citou especialmente quem tem mais de 70 anos, faixa em que o voto é facultativo.
Segundo Lula, mesmo quem não deseja votar por interesse próprio deveria considerar os efeitos da eleição sobre filhos, netos e outras gerações. A fala buscou reforçar a participação no 2º turno e ampliar a mobilização da campanha. Assim, o petista direcionou parte do discurso ao eleitor que se absteve na primeira etapa.
A estratégia também mostra que a disputa entrou em uma fase de busca por novos votos. Além de tentar manter o apoio obtido no 1º turno, as campanhas passam a disputar quem não compareceu às urnas. Nesse contexto, a mobilização de rua ganha espaço na reta final.
Ato reuniu aliados e entidades na Paulista
A concentração começou pela manhã na Avenida Paulista. Entre os participantes estavam integrantes de movimentos estudantis, organizações sociais e representantes de entidades ligadas à educação e à pesquisa. O vice-presidente Geraldo Alckmin também participou da agenda.
Além dele, estiveram presentes aliados políticos e governadores ligados ao PT. A participação dessas lideranças reforçou o caráter eleitoral do ato e ampliou a presença de diferentes setores da base do governo. Ao mesmo tempo, entidades acadêmicas apresentaram pautas próprias durante a mobilização.
Os grupos defenderam mais investimentos em educação, ciência e pesquisa. Também destacaram temas como valorização de professores, financiamento público, autonomia universitária e fortalecimento das instituições democráticas. Dessa forma, o evento reuniu discurso eleitoral e reivindicações de setores ligados à produção científica.
Presidente fala sobre escala 6 por 1
Antes do ato, Lula conversou com jornalistas e comentou a proposta que trata do fim da escala de trabalho 6 por 1. Segundo ele, a votação está prevista para quarta-feira. O presidente afirmou que a oposição terá de se posicionar sobre a ampliação dos períodos de descanso dos trabalhadores.
Lula também disse que já havia tratado da data com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Na avaliação do petista, um adiamento poderia empurrar o debate para depois das eleições. Por isso, ele defendeu que a discussão ocorra ainda durante o período eleitoral.
Além disso, Lula cobrou uma posição do PL sobre a proposta. Segundo ele, o partido deverá dizer se apoia ou não a redução da jornada. A declaração, porém, representa a posição política do presidente e não significa que a mudança já esteja aprovada pelo Congresso.
A discussão sobre a escala 6 por 1 ganhou espaço na campanha porque afeta diretamente a rotina de trabalhadores. O tema envolve mudanças na quantidade de dias consecutivos de trabalho e de descanso. Ainda assim, qualquer alteração depende da tramitação e da aprovação do texto no Legislativo.
Lula também aborda segurança pública
Outro tema citado pelo presidente foi a segurança pública. Lula afirmou que um eventual novo mandato teria entre as prioridades a modernização tecnológica, a transição energética e mudanças na política de combate ao crime. Segundo ele, o governo pretende ampliar a participação federal nessa área.
Nesse contexto, Lula mencionou a PEC da Segurança Pública. A proposta busca redefinir a atuação da União e a cooperação com estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado. O presidente defendeu uma atuação mais integrada entre os diferentes níveis de governo.
Além disso, Lula falou sobre formação profissional em inteligência artificial e indústria digital. Segundo ele, o país precisará preparar trabalhadores para mudanças tecnológicas nos próximos anos. Assim, o discurso reuniu propostas econômicas, tecnológicas e de segurança.
O presidente também relacionou essas áreas ao planejamento de um eventual próximo mandato. No entanto, as medidas ainda dependem de propostas específicas, negociações políticas e, em alguns casos, aprovação do Congresso.
Lula critica decisões da Justiça Eleitoral
Lula também reagiu a decisões recentes da Justiça Eleitoral envolvendo conteúdos ligados à sua campanha. O presidente criticou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones. A medida ocorreu após pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo Lula, os advogados da campanha deverão buscar esclarecimentos na Justiça Eleitoral. Ele afirmou considerar algumas decisões desfavoráveis à sua candidatura. Além disso, disse perceber uma sequência de medidas que, na avaliação dele, prejudica o equilíbrio da disputa.
O presidente informou que o partido pretende recorrer aos instrumentos jurídicos disponíveis. Dessa forma, a campanha pode apresentar pedidos de revisão ou esclarecimento às autoridades eleitorais. Cabe à Justiça analisar esses questionamentos e decidir se mantém ou altera as determinações.
A Justiça Eleitoral, porém, também adotou medidas contra conteúdos ligados à campanha adversária no 2º turno. Entre elas, houve determinação para retirada de vídeos feitos com inteligência artificial que associavam Lula a facções criminosas. Assim, decisões sobre propaganda digital têm atingido conteúdos de diferentes grupos políticos.
Lula afirmou que não aceitará o que considera uma interferência indevida no processo eleitoral. Essa avaliação representa a posição do candidato. Até o momento, não há decisão judicial que reconheça tratamento desigual contra sua campanha.
Mobilizações também ocorreram em outras cidades
Além de São Paulo, apoiadores de Lula realizaram atos em outras cidades neste domingo. As mobilizações ocorreram durante a campanha do 2º turno e reuniram eleitores em diferentes regiões. Os eventos também reforçaram a convocação para participação nas urnas.
Em Campinas, manifestantes se concentraram no Largo do Rosário, na região central. Depois, seguiram por vias do Centro durante a chamada “Marcha pela Democracia”. O ato começou pela manhã e terminou no início da tarde. Após a caminhada, os participantes retornaram ao ponto de concentração. Em seguida, a região começou a ser liberada para o trânsito. A mobilização reuniu apoiadores em uma das principais áreas comerciais da cidade.
Já em Belo Horizonte, participantes realizaram um bandeiraço no Centro da capital mineira. Depois, o grupo seguiu em caminhada pela região da Avenida Afonso Pena. A movimentação contou com acompanhamento de órgãos locais de trânsito e segurança.
A prefeitura monitorou a região para organizar a circulação de pedestres e veículos. Com isso, equipes públicas acompanharam a concentração e o deslocamento dos participantes. O esquema buscou reduzir impactos no trânsito durante o ato.
As mobilizações fazem parte da agenda política desta etapa da eleição presidencial. A campanha entrou em uma fase de maior presença nas ruas antes do 2º turno, marcado para 25 de outubro. Até lá, partidos, candidatos e apoiadores devem ampliar eventos públicos e ações de mobilização.
Nesse período, a disputa também passa a mirar eleitores que não participaram da primeira votação. Por isso, discursos sobre abstenção e comparecimento às urnas tendem a ganhar espaço. A estratégia busca ampliar a participação e disputar votos ainda não consolidados.
