Mundo

Pedro Sánchez convoca eleições antecipadas na Espanha para 29 de novembro

Pedro Sánchez (Foto: Ministério da Presidência/Governo da Espanha)

Primeiro-ministro espanhol busca renovar seu apoio no Parlamento após derrota de medidas para enfrentar crise habitacional e aumento da pressão política

Foto: Ministério da Presidência/Governo da Espanha

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a convocação de eleições gerais antecipadas para 29 de novembro. A decisão ocorre após o Congresso rejeitar, na última sexta-feira, decretos apresentados pelo governo para enfrentar a crise habitacional do país, em meio a uma onda de protestos por moradia.

Em pronunciamento televisionado, Sánchez afirmou que pretende renovar o apoio da população e buscar uma maioria progressista mais ampla no Parlamento. O primeiro-ministro também reconheceu erros durante sua gestão e admitiu que parte de sua base política está insatisfeita com os resultados apresentados pelo governo.

A antecipação das eleições representa uma aposta de risco para o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que aparece atrás do Partido Popular (PP) nas pesquisas de intenção de voto. O cenário também pode favorecer uma eventual aproximação entre o PP e o Vox, partido de extrema direita, possibilidade que poderia levar a direita radical ao governo central espanhol pela primeira vez desde a redemocratização do país após a morte do ditador Francisco Franco.

Sánchez, porém, mantém um histórico de resistência política. Desde que chegou ao poder, em 2018, conseguiu formar diferentes alianças parlamentares para permanecer no cargo, apesar de nunca ter obtido sozinho votos suficientes para estabelecer uma maioria. No atual mandato, entretanto, a fragmentação entre os partidos que sustentam o governo dificultou a aprovação de projetos e impediu a aprovação de um orçamento nacional desde 2023.

A crise habitacional se tornou um dos principais temas do debate político espanhol. As medidas propostas pelo governo receberam atenção diante do aumento da insatisfação popular, mas acabaram rejeitadas por partidos de direita no Parlamento. A votação ocorreu poucos dias antes de novas manifestações em diversas cidades espanholas, com milhares de pessoas cobrando respostas para o aumento dos custos de moradia.

Além da questão habitacional, o governo Sánchez enfrenta desgaste provocado por denúncias de corrupção envolvendo integrantes do Partido Socialista e por dificuldades para manter sua base parlamentar. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro ainda reivindica resultados de seus anos no poder, como a reforma trabalhista, que contribuiu para a queda do desemprego, e políticas de imigração que mantiveram uma postura mais aberta em relação à chegada de estrangeiros.

A eleição de novembro também terá peso no cenário europeu. Uma eventual derrota de Sánchez poderia significar a saída de um dos últimos governos de esquerda da Europa Ocidental, em um momento de avanço de partidos de direita e extrema direita em diferentes países do continente.

Com a convocação, os espanhóis voltarão às urnas em 29 de novembro para decidir a composição do Parlamento e, consequentemente, o futuro do governo do país.

Clique para comentar

Comente esta reportagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

As últimas

Para o topo