Os protestos de estudantes do ensino médio contra as condições da educação na França entraram na terceira semana nesta segunda-feira (5). Durante uma manifestação na cidade de Lens, no norte do país, um adolescente de 15 anos sofreu uma grave lesão e perdeu uma das mãos, segundo autoridades locais.
De acordo com o jornal regional La Voix du Nord, citado pela Reuters, o estudante perdeu a mão depois de pegar uma granada de efeito moral utilizada pela polícia. A atribuição dessa informação ao jornal foi corrigida pela Reuters: o prefeito de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, confirmou o ferimento e informou que uma investigação foi aberta, mas não atribuiu a ele a informação sobre o adolescente ter recolhido a granada.
Os protestos são motivados principalmente por reclamações sobre a falta de professores, salas de aula superlotadas e a deterioração da infraestrutura das escolas. Cerca de 400 a 500 escolas de ensino médio estavam total ou parcialmente fechadas nesta segunda-feira, segundo informações das autoridades francesas.
A mobilização começou na região de Paris e se espalhou para outras partes do país. Em diferentes cidades, manifestações tiveram confrontos entre estudantes e forças de segurança. O movimento também ocorre em meio a discussões sobre o orçamento francês e a necessidade de redução do déficit público, aumentando a pressão sobre o governo.
Grupos de direitos humanos criticam o uso de métodos considerados agressivos pelas forças de segurança, incluindo gás lacrimogêneo, cassetetes e munições de borracha. Paralelamente, autoridades investigam outros episódios envolvendo manifestantes e policiais, incluindo o caso de um estudante de 16 anos que sofreu uma lesão no olho durante os protestos.
A mobilização deve ganhar força nesta terça-feira (6), quando sindicatos estudantis convocaram uma jornada nacional de protestos. A expectativa é de novas manifestações em diversas cidades francesas, enquanto o governo tenta responder às reivindicações dos estudantes e conter os episódios de violência.
