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Shows, corridas e festivais passam a definir para onde o brasileiro viaja

Drone (Foto: Divulgação)

Eventos ganham peso na escolha dos destinos.

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A viagem começa cada vez menos pelo destino e mais pelo evento. Shows, corridas, festivais gastronômicos, congressos, competições esportivas e festas regionais passaram a influenciar diretamente quando e para onde o brasileiro decide viajar.

Um levantamento reunido pelo Ministério do Turismo para as tendências de 2026 mostra que 65% das datas e cidades mais pesquisadas no Airbnb coincidem com grandes eventos culturais, esportivos ou musicais. A conclusão é clara: o evento deixou de ser apenas parte da programação e, em muitos casos, passou a ser o motivo principal da viagem.

O movimento ajuda a explicar por que cidades tradicionais do turismo investem cada vez mais em calendários capazes de ocupar diferentes meses do ano.

A lógica vale para grandes capitais, mas também para destinos regionais. Um show leva fãs a viajar. Uma corrida atrai atletas e familiares. Um congresso movimenta hotéis durante a semana. Festas populares transformam cidades inteiras por vários dias.

A dimensão econômica dessa engrenagem aparece nos números. O III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil apontou que cerca de 300 mil empresas ligadas ao segmento movimentaram R$ 813,5 bilhões em 2024.

O valor correspondeu a 4,6% do Produto Interno Bruto brasileiro, segundo levantamento conduzido pelo Sebrae Nacional, com execução técnica do Observatório da Indústria do Ceará e participação de diferentes entidades do setor.

No mesmo ano, foram contabilizados aproximadamente 10,1 milhões de eventos em todo o país. Essas atividades reuniram cerca de 1,7 bilhão de participações de público e estiveram associadas a aproximadamente 12,7 milhões de postos de trabalho. O impacto não fica restrito a produtoras ou organizadores.

Hospedagem, alimentação, transporte, segurança, tecnologia, comunicação, audiovisual, comércio e serviços entram na mesma cadeia.

Turismo cresceu 4,6% em 2025

Os números do turismo também ajudam a explicar o interesse dos destinos em eventos. Segundo o IBGE, as atividades turísticas cresceram 4,6% em 2025 na comparação com o ano anterior. O avanço foi puxado por segmentos como transporte aéreo de passageiros, hotéis, serviços de reservas, bufês e atividades ligadas a espetáculos teatrais e musicais.

A presença dos eventos nesse resultado é particularmente interessante porque ajuda a reduzir um problema histórico do setor: a sazonalidade.

Destinos que antes dependiam de férias escolares, verão ou grandes feriados conseguem criar novos períodos de demanda quando inserem eventos no calendário.

O esporte ocupa uma parte importante desse movimento. Pesquisa compilada pelo Ministério do Turismo indica que aproximadamente 40% dos viajantes entre 25 e 34 anos pretendiam realizar viagens domésticas ou internacionais para acompanhar competições esportivas.

Corridas, ciclismo e outros eventos de participação também ampliaram a relação entre esporte e viagem. O fenômeno não depende necessariamente de grandes campeonatos.

Na Bahia, por exemplo, um festival de aventura realizado em Baixio reuniu cerca de 200 atletas, enquanto uma prova de mountain bike em Euclides da Cunha atraiu 600 competidores de diferentes regiões do país.

Segundo a Secretaria de Turismo da Bahia, esses eventos ajudaram a movimentar hospedagem, bares, restaurantes e atividades locais.

“Os atletas e acompanhantes geraram boa ocupação nos meios de hospedagem e consumo em bares e restaurantes”, afirmou Arnaldo Maciel, coordenador do Bahia Adventure Festival.

O impacto econômico cresce quando o visitante não viaja sozinho e permanece mais de um dia no destino. Um corredor pode chegar na véspera para retirar o kit, competir no domingo e voltar para casa somente na segunda-feira.

Quem viaja para um show costuma combinar a apresentação com restaurantes, bares e outros pontos turísticos. Congressistas frequentemente estendem a permanência para conhecer a cidade.

Esse comportamento explica por que hospedagem e alimentação costumam aparecer entre os setores mais afetados pelo turismo de eventos.

Em Salvador, a ocupação média dos meios de hospedagem chegou a 66,5% em 2025, o melhor resultado em 15 anos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis na Bahia divulgados pela secretaria estadual.

Festas populares mostram tamanho do impacto

Eventos tradicionais produzem números ainda maiores. O São João da Bahia recebeu aproximadamente 2 milhões de turistas em 2026 e gerou receita estimada em R$ 2,5 bilhões.

Um ano antes, eram 1,8 milhão de visitantes e R$ 2,3 bilhões movimentados. O crescimento mostra como festas culturais conseguem transformar fluxo turístico em consumo distribuído por diferentes cidades e setores.

O mesmo mecanismo aparece em eventos de música, esporte e gastronomia. Quando o visitante precisa se deslocar para participar, a experiência deixa de ser apenas cultural ou esportiva e passa a funcionar também como produto turístico.

Gramado (RS) é um exemplo de destino que começa a explorar com mais intensidade essa combinação. Conhecida nacionalmente pelo Natal Luz, Festival de Cinema e gastronomia, a cidade encerra 2026 com uma sequência de eventos esportivos.

Entre outubro e novembro, o município recebe competições de jiu-jítsu, golfe e corrida de rua.

Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, estão programados o AJP Tour Gramado International Jiu-Jitsu Championship GI e o Aberto do Gramado Golf Club.

Em 8 de novembro, o bairro Moura recebe uma etapa do Circuito Municipal de Corrida de Rua. No dia 20, a Biomed Run terá provas de três e cinco quilômetros. A sequência acrescenta ao calendário um público com comportamento diferente do turista tradicional.

“A combinação mostra uma característica que Gramado vem tentando ampliar: receber eventos capazes de gerar permanência maior do visitante e distribuir o consumo por diferentes setores da economia local”, afirmou Hilário Krauspenhar, da Sky Hotéis.

Familiares e acompanhantes, por outro lado, ajudam a espalhar o consumo para restaurantes, parques e atrações. A Sky Hotéis acompanha essa mudança em Gramado justamente no ano em que completa 25 anos.

Fundada em 2001 por Hilário Krauspenhar, a rede reúne atualmente nove hotéis, cinco restaurantes, dois spas e um parque infantil. Sua expansão ocorreu paralelamente à transformação da cidade em um destino capaz de receber visitantes por motivos cada vez mais diversos.

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Categoria: Turismo

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Alt text: Visitantes circulam por destino turístico brasileiro durante programação de eventos.

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