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Streaming entra de vez na era dos anúncios e muda disputa por audiência no Brasil

Streaming (Foto: Netflix | Divulgação)

Netflix já reúne mais de 35 milhões de pessoas ativas por mês.

Foto: Netflix | Divulgação

O streaming brasileiro entrou definitivamente em uma nova fase. Depois de anos construídos sobre a promessa de assistir a filmes e séries sem intervalos comerciais, as principais plataformas passaram a apostar em planos mais baratos com anúncios e a disputar não apenas assinantes, mas também verbas publicitárias.

O movimento é puxado por uma mudança importante no modelo de negócio. A Netflix informou que seu plano com anúncios já alcança mais de 35 milhões de pessoas ativas por mês no Brasil, crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2025. No mundo, a modalidade ultrapassou 250 milhões de usuários ativos mensais.

“Se os últimos anos foram sobre provar que somos um player sólido e consistente, este ano é sobre consolidar nossa posição como uma força colaborativa e potente para a evolução do mercado”, disse Amy Reinhard, presidente global de Publicidade da Netflix, durante apresentação da companhia ao mercado em maio.

A lógica não é exclusiva da Netflix. Disney+, Max e Prime Video também trabalham com publicidade em diferentes formatos.

No Brasil, o Disney+ oferece plano com anúncios por R$ 29,90 por mês, além das opções Padrão, a R$ 49,90, e Premium, a R$ 69,90. A Max mantém um plano Básico com Anúncios por R$ 29,90 mensais, enquanto as versões Standard e Platinum custam R$ 39,90 e R$ 55,90, respectivamente. Já o Prime Video passou a incluir anúncios limitados em filmes e séries, oferecendo uma assinatura adicional para quem prefere assistir à maior parte do catálogo sem interrupções publicitárias.

Na prática, as plataformas passaram a usar uma estratégia parecida com a televisão por assinatura: diferentes faixas de preço, publicidade e benefícios conforme o plano escolhido.

Brasil ganha peso nessa disputa

O mercado brasileiro tem características que ajudam a explicar o interesse das plataformas. Segundo a Kantar, o consumo de vídeo online já faz parte da rotina de uma parcela significativa da população, enquanto a multiplicação de smart TVs, celulares e outros dispositivos fragmentou a audiência entre diferentes telas. A empresa também aponta que anunciantes estão destinando cada vez mais atenção ao streaming dentro do planejamento de mídia.

Durante a Copa do Mundo de 2026, por exemplo, 31% dos consumidores brasileiros disseram que pretendiam acompanhar partidas por plataformas de streaming, ao lado da TV aberta, televisão por assinatura e redes sociais.

Para as empresas de mídia, esse comportamento cria uma oportunidade: vender publicidade para um público que antes pagava apenas pela assinatura.

A publicidade também modifica a forma como as plataformas medem o sucesso.

A Netflix, por exemplo, passou a informar números de pessoas ativas nos planos com anúncios e ampliou ferramentas de segmentação de público para anunciantes. Em 2025, o plano com publicidade tinha 29,2 milhões de pessoas ativas mensalmente no Brasil; em 2026, o número passou de 35 milhões.

A companhia também afirma que 63% de seus assinantes no país consideram a Netflix seu principal serviço de streaming. O dado é fornecido pela própria empresa e integra sua apresentação comercial ao mercado publicitário.

Ao mesmo tempo, a audiência continua elevada. Apenas no primeiro semestre de 2026, usuários assistiram a mais de 97 bilhões de horas de conteúdo na Netflix em todo o mundo, maior volume semestral já registrado pela plataforma.

Para quem assina streaming, a mudança cria uma escolha cada vez mais comum: pagar menos e assistir a publicidade ou desembolsar mais para reduzir as interrupções.

No Disney+, por exemplo, a diferença entre o plano com anúncios e o Premium chega a R$ 40 mensais. Na Max, são R$ 26 entre o Básico com Anúncios e o Platinum.

A multiplicação de serviços também faz com que famílias revejam quais plataformas manter durante todo o ano e quais assinar apenas quando um filme, série ou evento específico chega ao catálogo.

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