A Autoridade Palestina deve adiar as eleições legislativas previstas para 28 de novembro de 2026. O pleito pode ser transferido para setembro de 2027, segundo uma carta enviada pelo vice-presidente palestino, Hussein al-Sheikh, ao ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot. O documento, datado de 8 de outubro e obtido pela Reuters, atribui a decisão à piora das condições nos territórios palestinos.
A carta afirma que as circunstâncias políticas, econômicas e de segurança esperadas para a realização da votação não se concretizaram. O texto também aponta obstáculos à participação dos eleitores e à integridade do processo eleitoral. Diante desse cenário, autoridades palestinas recomendaram ao presidente Mahmoud Abbas a revisão do calendário e a continuidade do diálogo interno.
A possibilidade de adiamento ocorre em meio a dúvidas sobre a realização do pleito. Os palestinos não elegem seus representantes em eleições legislativas ou presidenciais desde 2005 e 2006. Após a votação daquele período, o Hamas, grupo islâmico rival de Abbas e do partido Fatah, assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007, afastando aliados do presidente palestino.
Dentro do Fatah, há divergências sobre as condições necessárias para uma nova eleição. Alguns integrantes defendem um diálogo com o Hamas e outras facções para estabelecer uma visão nacional comum antes da votação. Outros apontam dificuldades para levar urnas, documentos eleitorais e tinta para Gaza, o que poderia inviabilizar a participação dos eleitores no território.
A carta também afirma que autoridades palestinas esperavam avanços a partir da iniciativa de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Entre as medidas previstas estavam o envio de forças internacionais e policiais palestinos para Gaza, o desarmamento do Hamas e a retirada das tropas israelenses.
Os representantes palestinos também esperavam ações dos Estados Unidos para impedir novas anexações de territórios na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, conter a violência de colonos israelenses e garantir a liberação de quase US$ 7 bilhões em recursos palestinos retidos por Israel. Segundo o documento, essas medidas e compromissos não foram concretizados, enquanto as condições de segurança se deterioraram nos territórios palestinos.
França defende realização das eleições
A França considera a realização das eleições essencial para fortalecer a legitimidade da liderança palestina. Após reconhecer o Estado palestino em setembro de 2025, o governo francês defendeu a realização dos pleitos legislativo e presidencial. Abbas havia assumido esse compromisso com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.
Na quinta-feira (8), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Pascal Confavreux, reiterou a importância da votação e destacou o início de uma missão da União Europeia para observar o processo eleitoral. Enquanto isso, Abbas, presidente da Autoridade Palestina desde 2005, enfrenta uma queda de popularidade entre os palestinos, que veem sua administração como ineficaz e corrupta. Seu mandato presidencial expirou em 2009, e ele governa por decretos desde então.
