Economia

Consórcios movimentam quase R$ 390 bilhões em 2026 e chegam a 13,55 milhões de participantes

Consórcio (Foto: Divulgação | Gerada por IA)

Setor foi criado no Brasil em 1962 e ganha força em cenário de juros.

Foto: Divulgação | Gerada por IA

O Dia do Profissional de Consórcio, celebrado nesta sexta-feira (9), encontra o setor em um dos maiores patamares de sua história no Brasil. Nos oito primeiros meses de 2026, o Sistema de Consórcios movimentou R$ 389,59 bilhões em créditos comercializados, avanço de 24,2% na comparação com os R$ 313,72 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).

O número de participantes ativos chegou a 13,55 milhões em agosto, crescimento de 12,1% em um ano. Entre janeiro e agosto, foram comercializadas 3,82 milhões de cotas, alta de 15,1%, enquanto 1,18 milhão de participantes foram contemplados. O volume de créditos disponibilizados para compra de bens e contratação de serviços alcançou R$ 85,72 bilhões.

O tíquete médio também aumentou. Em agosto, o valor médio das cotas chegou a R$ 113,57 mil, 13,8% acima dos R$ 99,79 mil registrados no mesmo mês do ano anterior.

O consórcio, como é conhecido atualmente, é uma criação brasileira. O primeiro grupo oficialmente identificado com essa denominação foi organizado em 1962 por funcionários do Banco do Brasil que se reuniram para conseguir comprar automóveis em um período de restrição ao crédito.

A primeira regulamentação veio em 1971. Em 1991, o Banco Central passou a responder pela fiscalização do sistema. Já a Lei nº 11.795, de 2008, conhecida como Lei dos Consórcios, estabeleceu o marco específico da atividade e entrou em vigor em 2009.

A data de 9 de outubro passou também a ser dedicada aos profissionais que atuam no segmento, desde administradores até consultores, corretores e equipes responsáveis pelo atendimento e acompanhamento dos consorciados.

Selic alta pesa no custo do crédito

Outro fator presente na expansão atual é o cenário de juros. Em setembro, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 13,75% ao ano. Mesmo com a queda, a taxa continua elevada.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve de referência para o custo de diferentes operações de crédito e influencia empréstimos e financiamentos, embora o preço final de cada operação também dependa de prazo, risco do cliente, garantias e condições de mercado.

Nesse cenário, o consórcio aparece como uma alternativa para consumidores que podem se planejar e não precisam necessariamente acessar o bem de forma imediata. A modalidade não cobra juros, mas possui taxa de administração e pode incluir outros custos previstos em contrato.

“Na conquista de um carro ou de um imóvel, existe muito planejamento envolvido. O consórcio não compromete seu orçamento completo, diferente do financiamento, que é um produto totalmente diferente. O consórcio não tem juros e tem parcelas que fazem sentido no seu bolso”, disse Lucas Cabrera, sócio da Cabrera Seguros, referência no setor no ABC Paulista.

“A taxa Selic segue alta e deixa o crédito com juros altos, onde as pessoas recorrem ao consórcio. Quem usa empréstimo do banco cai na parte dos juros altos”, afirmou Cabrera, empresa com mais de 30 anos de mercado.

O segmento imobiliário está entre os destaques de 2026. Em agosto, havia 3,34 milhões de participantes ativos em grupos para compra de imóveis, alta de 33,6% na comparação anual.

As vendas chegaram a 1,14 milhão de cotas de janeiro a agosto, crescimento de 39,9%. No mesmo período, foram comercializados R$ 231,90 bilhões em créditos imobiliários.

Os veículos leves continuam reunindo o maior número de participantes, com 5,63 milhões de consorciados ativos. As motocicletas somam outros 3,33 milhões. O sistema também abrange caminhões, máquinas, equipamentos, eletroeletrônicos e serviços.

Para Luiz Mattoso, CEO da Águia Consórcios e Seguros, o atual cenário amplia a necessidade de planejamento antes da contratação.

“Hoje, o consórcio é uma excelente ferramenta para quem quer se planejar para adquirir um bem sem pagar os juros de um financiamento. É importante entender que existe a taxa de administração, mas ela é diluída ao longo do plano e, muitas vezes, representa um custo muito menor do que os juros cobrados em outras modalidades de crédito”, afirmou Luiz Mattoso.

“O consórcio permite que a pessoa se organize financeiramente. Ela pode programar a compra de um carro, de um imóvel ou de outros bens sem necessariamente comprometer todo o orçamento. É uma modalidade indicada principalmente para quem tem planejamento e não precisa do bem imediatamente”, explicou.

Planejamento continua sendo essencial

A entrada em um grupo de consórcio não significa acesso imediato ao crédito. A contemplação acontece por sorteio ou lance, de acordo com as regras do contrato.

Por isso, o consumidor precisa observar taxa de administração, prazo, eventual fundo de reserva, seguros e demais custos antes de contratar.

“Com a Selic em um patamar elevado, o custo do crédito também sobe bastante. Por isso, muitas pessoas começaram a olhar para o consórcio como uma alternativa para fugir dos juros altos e fazer uma compra de forma mais planejada. O mais importante é analisar cada situação e encontrar um plano que realmente caiba no orçamento do cliente”, concluiu Mattoso.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho que o consórcio alcançou no país. Entre janeiro e agosto, foram 3,82 milhões de cotas vendidas, R$ 389,59 bilhões em créditos comercializados e 1,18 milhão de contemplações.

O sistema já reúne 13,55 milhões de participantes ativos e um tíquete médio de R$ 113,57 mil. É um mercado que cresceu muito além do automóvel e hoje passa por imóveis, motos, caminhões, máquinas, equipamentos e serviços.

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