Economia

Consumo de ovos mais que dobra em 20 anos e Brasil deve produzir 64,8 bilhões de unidades em 2026

Ovos (Foto: Divulgação)

No Dia Mundial do Ovo, setor projeta novo recorde de produção.

O Brasil chega ao Dia Mundial do Ovo, celebrado nesta sexta-feira (9), com produção e consumo em níveis recordes. A expectativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) é que o país encerre 2026 com até 64,8 bilhões de ovos produzidos, crescimento de 4,1% sobre as 62,25 bilhões de unidades registradas em 2025.

O avanço acompanha uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro. A projeção é que o consumo chegue a 301 ovos por habitante neste ano, diante de 288 unidades em 2025.

Há duas décadas, o cenário era bem diferente. Em 2006, o brasileiro consumia, em média, 142,3 ovos por ano. Se a estimativa de 2026 for confirmada, o consumo terá crescido mais de 110% no período.

Em 2010, eram 148 ovos por habitante. O número passou para 191 em 2015 e alcançou 251 unidades em 2020. Para 2027, a ABPA projeta novo avanço, para até 312 ovos por pessoa.

A presença maior do produto na mesa brasileira acompanha mudanças nos hábitos alimentares e na própria estrutura do setor. Além do consumo doméstico, o ovo está presente em restaurantes, padarias, confeitarias, indústrias de alimentos e empresas que utilizam o produto como ingrediente.

Para Igor Volpe, empresário do setor de ovos e ligado à Distribuidora Ovos Zoião, o produto passou a ocupar um espaço diferente na alimentação cotidiana.

“O ovo ganhou muito espaço na alimentação do brasileiro nos últimos anos porque reúne características importantes: é uma proteína acessível, versátil e que faz parte da rotina de diferentes perfis de consumidores. Esse crescimento do consumo também exige que o setor acompanhe com investimento em qualidade, segurança alimentar, tecnologia e eficiência na produção”, afirmou Igor Volpe.

O aumento da demanda também movimenta uma cadeia que envolve granjas, fornecedores de insumos, transporte, distribuidores, supermercados, atacadistas, restaurantes e outros pontos de venda.

“Hoje, o consumidor também está mais atento à origem do alimento, à forma como ele é produzido e à qualidade do produto que leva para casa. Isso faz com que toda a cadeia precise evoluir constantemente, desde a produção até a chegada do ovo ao ponto de venda”, explicou Volpe.

Produção também cresce

O crescimento do consumo foi acompanhado pelo aumento da capacidade produtiva. Para 2026, a ABPA estima até 64,8 bilhões de unidades, enquanto a projeção para 2027 chega a 66,5 bilhões de ovos.

O setor também passou por investimentos em genética, nutrição animal, manejo, controle sanitário, biosseguridade, automação e logística.

Segundo a ABPA, o avanço do consumo nas últimas décadas ajudou a consolidar o ovo como uma das principais proteínas presentes na alimentação dos brasileiros.

“Em duas décadas, o consumo de ovos mais que dobrou no Brasil. Esse avanço demonstra a confiança da população em uma proteína versátil, nutritiva e acessível”, afirmou Ricardo Santin, presidente da ABPA, em declaração divulgada pela entidade durante a Semana Mundial do Ovo.

Para Volpe, o crescimento dos números também aumenta a responsabilidade das empresas que trabalham entre a produção e o consumidor final. “O aumento do consumo mostra que o ovo deixou de ser visto apenas como um alimento básico e passou a ocupar um espaço cada vez maior na alimentação das famílias. Para o setor, o desafio é continuar crescendo com qualidade, produtividade e responsabilidade”, afirmou o empresário.

Se as projeções da ABPA forem confirmadas, cada brasileiro consumirá, em média, quase seis ovos por semana em 2026. Multiplicado por uma população superior a 200 milhões de pessoas, o resultado ajuda a explicar a dimensão alcançada pelo setor: mais de 64 bilhões de unidades produzidas em um único ano e um consumo per capita que mais do que dobrou desde 2006.

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