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A Próxima Vítima parou o Brasil: o mistério que levou milhões de pessoas à TV em 1995

Novela (Foto: TV Globo | Divulgação)

Último capítulo chegou a 62 pontos e revelou um dos assassinos mais lembrados das novelas.

Em novembro de 1995, milhões de brasileiros tinham a mesma pergunta: quem era o assassino de “A Próxima Vítima”?

A novela de Silvio de Abreu transformou uma trama das oito em investigação coletiva. Durante meses, mortes aparentemente sem relação entre si, uma lista ligada ao horóscopo chinês e um Opala preto alimentaram teorias entre espectadores, imprensa e até o próprio elenco.

Exibida entre março e novembro de 1995, a novela combinava suspense policial com os conflitos das famílias Ferreto, Rossi e Mestieri, tendo São Paulo, especialmente Mooca e Bixiga, como cenários centrais.

O segredo era tão bem guardado que boa parte dos atores não sabia quem era o assassino.

“Não matei ninguém que estava ruim, nem escolhi outro assassino porque alguém possa tê-lo descoberto”, afirmou Silvio de Abreu à Folha de S.Paulo poucas semanas antes do final.

O autor ainda deu uma pista.

“O assassino tem a ver com todos esses núcleos”, afirmou Silvio de Abreu na mesma entrevista.

Até o elenco tentava adivinhar

A Folha chegou a fazer uma enquete com os próprios atores.

Marcelo, personagem de José Wilker, recebeu o maior número de votos como suspeito. Zé Bolacha, interpretado por Lima Duarte, e Eliseo, vivido por Gianfrancesco Guarnieri, também estavam entre os nomes mais citados. Adalberto, personagem de Cecil Thiré, recebeu apenas três votos.

Era justamente ele o assassino.

A identidade só foi revelada no capítulo final, quando o investigador Olavo, interpretado por Paulo Betti, desvendou a sequência de crimes.

O nível de sigilo foi incomum até para os padrões da televisão da época. Segundo a Memória Globo, Silvio de Abreu e Jorge Fernando chegaram a gravar três possíveis desfechos poucas horas antes da exibição. Os atores receberam suas falas somente no estúdio.

Para aumentar ainda mais a proteção contra vazamentos, chegou-se a estudar a possibilidade de revelar o assassino ao vivo.

Mais de 6 milhões só na Grande São Paulo

O tamanho da expectativa apareceu no Ibope.

Dados preliminares divulgados pela Folha apontaram média de 62 pontos para o último capítulo na Grande São Paulo, equivalentes na época a aproximadamente 6,2 milhões de telespectadores apenas naquela região.

O pico chegou a 64 pontos justamente quando Olavo começou a revelar a identidade do criminoso.

A média geral da novela ficou próxima de 47 pontos, com episódios chegando a 60 pontos durante a reta final.

Mesmo esses números não contam toda a dimensão da repercussão. Jornais publicavam listas de suspeitos, espectadores criavam teorias e o elenco era constantemente questionado sobre o desfecho.

Final mudou até fora do Brasil

Silvio de Abreu encontrou ainda uma maneira de preservar o mistério para outros países.

A produção gravou finais diferentes para exibições internacionais e reprises, alterando a identidade do assassino em algumas versões.

“Escrevi quatro finais porque os telespectadores dos outros países têm direito de viver o mesmo suspense que os espectadores do Brasil viveram”, disse Silvio de Abreu à Folha em dezembro de 1995.

Poucas novelas conseguiram transformar tão completamente uma pergunta de ficção em conversa nacional.

Em uma época sem redes sociais, “A Próxima Vítima” produziu um tipo de viralização analógica: suspeitas no trabalho, discussões dentro de casa, apostas entre amigos e jornais tentando descobrir antes do público quem estava dentro do Opala preto.

Quando Adalberto finalmente foi revelado, 62 pontos de audiência mostraram o tamanho da curiosidade. Trinta anos depois, o assassino pode não ser mais segredo, mas a forma como a novela conseguiu prender o país até o último capítulo continua sendo parte da história da televisão brasileira.

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