Gastronomia

Canetas emagrecedoras começam a mudar tamanho dos pratos e cardápios de restaurantes

Tirzepatida (Foto: Divulgação)

Menos volume e mais proteína entram no radar de restaurantes e empresas de alimentação.

O crescimento do uso de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro começa a provocar uma mudança que vai além das farmácias: restaurantes e empresas de alimentação já observam consumidores com menos apetite, mais sobras e maior procura por refeições menores.

No Brasil, o consumo desse tipo de medicamento cresceu 42% em volume em 2025 e passou a movimentar aproximadamente R$ 10 bilhões, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.

O impacto aparece diretamente na mesa.

Empresas de marmitas já identificam uma parcela crescente de consumidores que usam medicamentos da classe GLP-1. Na Liv Up, por exemplo, esse grupo passou de 5% para 10% da base de clientes em aproximadamente um ano.

Pratos menores ganham espaço

Nos Estados Unidos, restaurantes começaram a reduzir o tamanho das porções e criar alternativas com mais proteína.

A mudança ficou evidente quando a chef Deborah VanTrece, do restaurante Twisted Soul Cookhouse & Pours, em Atlanta, percebeu que clientes estavam deixando grandes quantidades de comida no prato.

“Não eram apenas algumas garfadas que sobravam. Era metade do prato”, contou Deborah VanTrece ao The New York Times, em reportagem reproduzida pela Folha.

O fenômeno obrigou estabelecimentos a repensarem uma lógica antiga: pratos maiores eram frequentemente associados a melhor custo-benefício.

Com parte do público comendo menos, porções grandes podem representar desperdício e, ao mesmo tempo, dificultar a percepção de valor.

Proteína entra no centro do cardápio

Outra transformação está na composição das refeições.

Redes e indústrias passaram a destacar quantidade de proteína e fibras. A Nestlé, por exemplo, lançou nos Estados Unidos uma linha de refeições congeladas direcionada originalmente a usuários de medicamentos GLP-1.

“Desenvolvemos o produto para usuários de GLP-1, mas apenas 20% desse negócio vem de um usuário efetivo de GLP-1”, afirmou Federico Sarzi Braga, presidente da área de alimentos congelados da Nestlé USA.

O dado mostra que a tendência pode ir além de quem utiliza medicamentos.

Porções menores, maior concentração de proteína, menos desperdício e pratos com composição nutricional mais clara também atraem consumidores interessados em alimentação mais equilibrada.

Restaurantes precisam fazer a conta

A mudança, porém, não é simples.

Um restaurante não consegue apenas reduzir pela metade o tamanho do prato e cobrar metade do preço. Aluguel, mão de obra, energia, equipe e parte dos custos operacionais permanecem iguais.

“Adaptar os cardápios para consumidores que tomam esses medicamentos e, ao mesmo tempo, manter a rentabilidade exige criatividade”, afirmou Neil Doherty, chefe global de estratégia culinária da Sysco, ao The New York Times.

No Brasil, alguns restaurantes já trabalham com pratos em tamanhos diferentes, permitindo que o consumidor escolha porções menores sem abandonar completamente a experiência de comer fora.

As últimas

Para o topo