O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, após um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão, assinada no sábado (10), provocou críticas de integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.
O canal, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), cresceu de cerca de 50 mil para mais de três milhões de seguidores após o primeiro turno. A estrutura era utilizada para compartilhar áudios, vídeos e orientações aos apoiadores de Lula. Em sua decisão, Nunes Marques afirmou que o espaço passou a disseminar conteúdos que a Justiça Eleitoral já havia considerado sem fundamento mínimo.
Segundo o ministro, a medida não busca impedir a mobilização política nem restringir críticas aos candidatos. O argumento apresentado foi o de que o canal teria sido utilizado para reproduzir informações consideradas inverídicas em larga escala, inclusive com instruções para contornar mecanismos de proteção da plataforma.
A decisão também provocou questionamentos porque foi tomada enquanto outra ação sobre o mesmo canal tramitava sob responsabilidade do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. O ministro havia concedido prazo de cinco dias para que as partes se manifestassem antes de analisar os pedidos de maior impacto. Nunes Marques reconheceu a existência do outro processo e encaminhou uma cópia de sua decisão a Cueva.
A petição atendida pelo presidente do TSE foi apresentada por uma via diferente. Em vez de se concentrar apenas no conteúdo publicado, a campanha de Flávio Bolsonaro alegou descumprimento de compromissos assumidos pelo WhatsApp para combater irregularidades durante as eleições de 2026. O pedido chegou ao gabinete de Nunes Marques na tarde de sábado, e a decisão foi assinada no mesmo dia.
Após a suspensão, Janones classificou a medida como censura e orientou os integrantes do canal a buscar outros espaços de comunicação, incluindo uma página no Instagram. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, também criticou a iniciativa antes da decisão, considerando a representação da campanha adversária um absurdo.
Lula questionou a atuação da Justiça Eleitoral durante um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11). O presidente classificou a decisão como “tendenciosa” contra sua candidatura e afirmou que os advogados da campanha deveriam pedir esclarecimentos. A assessoria do petista também informou que a equipe jurídica se manifestaria sobre o caso.
A suspensão do canal ocorreu no mesmo fim de semana em que Nunes Marques acolheu outro pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, desta vez para retirar uma propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A peça associava a chapa adversária a acusações relacionadas a crimes, e o ministro considerou que a mensagem ultrapassava os limites da crítica política e poderia contrariar a presunção de inocência. As duas decisões ampliaram a disputa judicial entre as campanhas durante o segundo turno presidencial.
