Saúde

Anvisa autoriza testes em humanos da primeira vacina brasileira contra malária por P. vivax

Teste da vacina de malária em humanos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Vacina desenvolvida pela UFMG será testada em 48 voluntários para avaliar a segurança e a resposta imunológica contra o parasita predominante no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou os testes em humanos da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no Brasil. O imunizante, desenvolvido com tecnologia 100% nacional, representa um novo avanço na pesquisa de prevenção da infecção.

Batizada de Vivaxin, a vacina é resultado de pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo o Ministério da Saúde, a pasta prevê investir R$ 12 milhões nos ensaios clínicos das fases I, II e III.

Estudo avaliará segurança da vacina

A primeira fase dos testes clínicos contará com 48 voluntários de 18 a 59 anos, sem histórico de infecção prévia. O estudo avaliará a segurança do imunizante, possíveis reações à aplicação e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica. O acompanhamento dos participantes será realizado durante 360 dias.

O Ministério da Saúde destacou a importância do avanço diante dos números da doença no país. Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária, segundo dados citados pela pasta. A pesquisa busca ampliar as possibilidades de prevenção contra o parasita P. vivax, predominante nas Américas e na Ásia.

Atualmente, as duas vacinas contra a malária recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para combater o Plasmodium falciparum, espécie predominante na África. Dessa forma, o desenvolvimento da Vivaxin representa uma iniciativa voltada especificamente a outro parasita causador da doença, responsável pela maioria das infecções registradas no território brasileiro.

Como a malária é transmitida?

A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium. A transmissão ocorre pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego. Esses insetos são mais abundantes durante o entardecer e o amanhecer.

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença não é contagiosa e não passa diretamente de uma pessoa infectada para outra. Qualquer pessoa pode contrair malária, embora episódios anteriores possam proporcionar imunidade parcial. Sem tratamento adequado, pacientes infectados podem continuar sendo fonte de transmissão por meses ou até anos, dependendo da espécie do parasita.

A maioria dos casos brasileiros se concentra na região amazônica, que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Nas demais unidades federativas, as notificações são menos frequentes, mas a doença exige atenção devido à maior letalidade registrada na região extra-amazônica, conforme alerta do Ministério da Saúde.

As últimas

Para o topo