Economia

Desemprego cai a 5,3% e Brasil chega a 103,5 milhões de trabalhadores ocupados

Carteira (Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Renda média alcança R$ 3.777, carteira assinada bate recorde e mercado formal cria 1,13 milhão de vagas em 2026.

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro chegou ao segundo semestre de 2026 com desemprego historicamente baixo, recorde de pessoas ocupadas e crescimento da renda. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, menor resultado já registrado para esse período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.

Na comparação com o trimestre encerrado em maio, quando a taxa estava em 5,6%, houve queda de 0,3 ponto percentual. O mesmo recuo aparece em relação ao período equivalente de 2025, também de 5,6%. Em números absolutos, 5,8 milhões de pessoas estavam desempregadas, 281 mil a menos do que três meses antes.

Ao mesmo tempo, o Brasil atingiu 103,5 milhões de pessoas ocupadas, novo recorde da pesquisa. Em apenas três meses, aproximadamente 774 mil trabalhadores entraram na população ocupada. Na comparação anual, o avanço foi superior a 1 milhão de pessoas.

A expansão foi puxada principalmente pela indústria, que ganhou cerca de 265 mil trabalhadores no trimestre, e pela construção, com aumento de aproximadamente 306 mil pessoas ocupadas.

Outro recorde apareceu entre os empregados do setor privado com carteira assinada. O contingente chegou a 39,5 milhões de trabalhadores, o maior já registrado pela PNAD Contínua. O número ajuda a qualificar a queda do desemprego, porque mostra que parte da expansão não ficou restrita ao trabalho sem registro.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, já vinha relacionando o avanço dos rendimentos à maior demanda por trabalhadores e ao aumento da formalização em atividades de comércio e serviços.

“O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores”, afirmou a pesquisadora ao analisar a evolução do mercado de trabalho neste ano.

Renda cresce e massa salarial chega a R$ 385,6 bilhões

A melhora do emprego também aparece no rendimento. O salário médio real habitual ficou em R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mais significativo ainda é o comportamento da massa de rendimentos, que representa a soma de todos os salários recebidos pelos trabalhadores.

O valor alcançou R$ 385,6 bilhões, maior patamar da série histórica. Em três meses, foram R$ 5,2 bilhões adicionais circulando entre trabalhadores; em um ano, o crescimento foi de R$ 17,5 bilhões, ou 4,8%.

A massa salarial é um indicador importante porque conecta emprego ao restante da economia. Quanto maior o volume de renda nas mãos dos trabalhadores, maior tende a ser a capacidade de consumo, pagamento de dívidas, poupança e investimento das famílias.

O número de trabalhadores que contribuem para institutos de Previdência também chegou ao maior patamar da série: 68,5 milhões de pessoas.

Emprego formal cria 165 mil vagas em agosto

Os dados do Novo Caged reforçam o cenário. Somente em agosto, o país abriu 165.827 vagas com carteira assinada. Foram 2.294.563 admissões contra 2.128.736 desligamentos.

O resultado ficou acima das expectativas do mercado financeiro. A mediana das projeções reunidas pelo Ministério da Fazenda apontava criação de aproximadamente 93,5 mil vagas.

No acumulado de janeiro a agosto, foram criados 1.134.033 empregos formais, levando o estoque do país a 48,24 milhões de vínculos com carteira assinada. Nos 12 meses encerrados em agosto, o saldo positivo foi de 887.708 vagas.

Serviços lideraram com folga a criação de empregos no ano: 697.859 vagas, alta de 3,05%. A construção aparece em seguida, com 200.431 novos postos e crescimento de 6,79%. A indústria acumulou 170.442 vagas, a agropecuária 56.024 e o comércio 9.300.

Em agosto, todos os cinco grandes setores tiveram resultado positivo: serviços criaram 110.346 vagas; construção, 20.848; indústria, 16.613; comércio, 16.565; e agropecuária, 1.452.

São Paulo liderou a criação de empregos formais no mês, com 42.533 vagas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 20.886, e Pernambuco, com 13.428. No acumulado de 2026, São Paulo soma 306.883 novos empregos, Minas Gerais 123.176 e Rio de Janeiro 77.670.

Mulheres e jovens avançam no mercado formal

A distribuição das novas vagas também traz informações relevantes. Em agosto, o saldo foi ligeiramente maior entre mulheres: 83.989 novos postos, contra 81.838 entre homens.

Jovens de até 24 anos responderam por 128.997 vagas abertas no mês. Pessoas com ensino médio completo registraram saldo positivo de 100.939 empregos.

O salário médio real de admissão chegou a R$ 2.410,74. Na comparação com agosto de 2025, houve aumento real de 1,02%.

Apesar de o resultado do Caged ter superado as projeções do mercado, o ministro do Trabalho em exercício, Chico Macena, avaliou que o ritmo poderia ter sido maior. Ele relacionou parte da desaceleração a fatores externos, incluindo as tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O dado de agosto foi melhor que o registrado no mesmo mês de 2025, quando foram abertas aproximadamente 154,6 mil vagas.

Informalidade ainda alcança quase 39 milhões

Os números positivos não eliminam fragilidades históricas. A informalidade atingiu 37,5% da população ocupada no trimestre encerrado em agosto, o equivalente a aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, a taxa era de 37,3%.

São pessoas sem carteira assinada ou trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ, grupos que normalmente têm menor acesso a proteção trabalhista e previdenciária.

A taxa de subutilização da força de trabalho — que considera desempregados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e parte daqueles disponíveis para trabalhar — ficou em 13,1%. Um ano antes estava em 14,1%.

O número de desalentados, pessoas que gostariam de trabalhar mas desistiram de procurar emprego, ficou em aproximadamente 2,4 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 11,9%, ou cerca de 317 mil pessoas.

Mercado de trabalho resiste mesmo com juros altos

A trajetória chama atenção porque ocorre em um cenário de juros elevados e crescimento econômico mais moderado.

A política monetária restritiva costuma reduzir crédito, investimento e consumo e, com alguma defasagem, atingir contratações. Até agora, porém, o mercado de trabalho mostrou resistência maior do que outros indicadores da economia. Analistas ouvidos por veículos especializados vêm destacando justamente essa combinação: atividade mais lenta, mas desemprego ainda muito baixo.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem usado emprego e renda como dois dos principais indicadores de sua política econômica desde 2023. Durante o período, foram retomadas regras de valorização real do salário mínimo e ampliados programas de transferência de renda e investimento público.

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