Gastronomia

Cosmopolitan volta a ganhar espaço nos bares brasileiros e recupera força entre novos consumidores

Cosmopolitan (Foto: Acervo | divulgação)

Drink de vodca, cranberry e limão atravessou fases de sucesso, rejeição e redescoberta.

Foto: Acervo | divulgação

O Cosmopolitan voltou a aparecer com mais frequência em cartas de bares, eventos temáticos e releituras assinadas por bartenders brasileiros. O movimento não representa necessariamente um novo “boom” nacional, mas mostra uma retomada consistente de um coquetel que atravessou décadas de sucesso, rejeição e redescoberta.

A bebida ficou mundialmente associada aos anos 1990 e à série Sex and the City, mas sua história é mais antiga. Receitas chamadas Cosmopolitan aparecem em livros de coquetelaria desde o início do século 20, enquanto a versão moderna começou a ganhar forma nos Estados Unidos entre as décadas de 1970 e 1980.

Nomes como Cheryl Cook, Neal Murray e Toby Cecchini aparecem entre os responsáveis por diferentes etapas dessa evolução. Cecchini, que trabalhava no Odeon, em Nova York, ajudou a consolidar uma receita com vodca cítrica, licor de laranja, suco de limão e cranberry, combinação que depois ganhou projeção internacional.

A relação com Sex and the City veio depois e transformou o Cosmopolitan em símbolo visual de uma época. A taça triangular, a cor rosada e a presença constante nas mãos de Carrie Bradshaw e suas amigas criaram uma associação imediata entre o drink, Nova York e uma ideia de vida urbana sofisticada.

O efeito foi tão forte que, com o passar dos anos, parte da coquetelaria passou a rejeitar o Cosmopolitan justamente por causa do excesso de exposição. Durante um período, pedir o drink parecia mais uma referência à televisão do que uma escolha de balcão.

Agora, o ciclo começa a se inverter.

No Brasil, a retomada aparece tanto nas cartas quanto em ações dedicadas exclusivamente ao coquetel. Em julho de 2026, a Urbana Coquetelaria, em Santos (SP), realizou o Cosmo Day, uma noite inteira dedicada ao Cosmopolitan, com quatro releituras do clássico. Entre as versões estavam combinações com beterraba, bolo de rolo, pipoca caramelizada e uma criação da bartender Angel Namizaky com jabuticaba, hortelã e provolone.

Em São Paulo, o Cosmopolitan também segue presente em bares de perfil mais amplo. O Sylvester, eleito em 2026 pela Folha como o melhor bar com drinques em conta da cidade, mantém o clássico entre opções como Dry Martini e Negroni.

A Forbes Brasil também voltou ao drink em agosto de 2026, em conteúdo com Bolinha, bartender do Baretto, no Hotel Fasano São Paulo. A publicação destacou o Cosmopolitan como um coquetel de perfil cítrico e equilibrado que continua atraindo consumidores mais jovens.

Esse retorno acompanha uma tendência maior da coquetelaria brasileira: receitas conhecidas voltam a circular, mas com espaço para novos ingredientes, técnicas e identidades locais. O Cosmopolitan se encaixa bem nesse movimento porque possui uma estrutura simples e facilmente reconhecível, mas aceita adaptações sem perder completamente sua identidade.

O bartender Claudio Galicia, um dos nomes conhecidos da coquetelaria brasileira, resume parte dessa permanência. “Eu escolho o Cosmopolitan como o clássico que me representa, pois o mesmo vem transicionando desde 1930”, afirmou ao Mixology News.

Na mesma entrevista, Galicia relaciona o drink à cultura gay norte-americana, à presença feminina e à imagem construída por Sex and the City. Ele também destaca a cor rosada e o equilíbrio da receita como elementos centrais para a permanência do coquetel.

Essa leitura ajuda a explicar por que o Cosmopolitan voltou a funcionar em 2026. Ele carrega nostalgia, mas não depende apenas dela.

Há também um movimento de consumidores que buscam drinks de sabor mais direto, frutado e cítrico, sem necessariamente entrar em receitas excessivamente complexas. O Cosmo entrega exatamente isso.

A receita reconhecida internacionalmente combina vodca citron, licor de laranja, suco fresco de limão e cranberry. Quando bem executado, o resultado não deve ser excessivamente doce. A acidez do limão equilibra a fruta e o licor, enquanto a vodca sustenta a estrutura alcoólica sem dominar o conjunto.

Essa simplicidade também facilita as releituras brasileiras.

Ingredientes como jabuticaba, frutas tropicais, ervas e elementos de confeitaria podem ser incorporados sem destruir completamente a identidade do drink. É o mesmo processo que já aconteceu com outros clássicos revisitados por bares nacionais.

O retorno do Cosmopolitan, portanto, não depende apenas da nostalgia dos anos 1990. A bebida voltou a circular porque se encaixa em uma fase da coquetelaria que valoriza receitas reconhecíveis, apresentação marcante e espaço para adaptações locais.

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