O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou forte reação nos mercados financeiros brasileiros nesta segunda-feira (5). A liderança de Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos, à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16%, aumentou o apetite dos investidores por ativos brasileiros.
O dólar comercial caiu mais de 4% e voltou a ser negociado abaixo de R$ 5. Por volta das 11h, a moeda americana recuava 4,52%, cotada a R$ 4,98. Na mínima do dia, chegou a R$ 4,952, uma queda de 5,06%. O movimento levou a moeda ao menor nível desde maio, quando havia encerrado um pregão em R$ 4,893.
A Bolsa também reagiu fortemente. O Ibovespa chegou aos 209.605 pontos durante o pregão, com alta de 9,10%, estabelecendo um novo recorde intradiário. Por volta das 11h, o principal índice da B3 avançava 8,4%, aos 208.311 pontos.
A reação dos mercados está relacionada, segundo avaliações de investidores e analistas, à expectativa de uma possível alternância de poder na Presidência e de uma condução fiscal considerada mais rigorosa em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A percepção de menor risco fiscal tende a reduzir os prêmios exigidos pelos investidores e pode aliviar a pressão sobre os juros futuros.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) recuaram em diferentes prazos. O DI para 2027 caiu 15 pontos-base, para 13,39%, enquanto o contrato para 2029 recuou 92 pontos-base. Os juros futuros refletem as expectativas do mercado para a trajetória da Selic e do CDI.
As ações de empresas ligadas aos setores financeiro, de petróleo e de varejo também tiveram forte valorização. Os papéis da Petrobras subiam mais de 4%, enquanto as ações do BTG Pactual avançavam cerca de 21%. O Magazine Luiza chegou a registrar alta de 25%, entre os maiores ganhos do pregão.
Os dois candidatos voltam agora à campanha para a segunda etapa da eleição presidencial. A disputa ocorrerá em 25 de outubro, enquanto investidores acompanham as propostas econômicas dos concorrentes e os possíveis impactos sobre a política fiscal, os juros, o câmbio e a Bolsa brasileira.
