Carreira

IA muda mercado de trabalho e 47% dos brasileiros planejam buscar novo emprego ainda em 2026

RH (Foto: Divulgação | Robert Half Brasil)

74% dos profissionais estão mais cautelosos ao avaliar uma proposta.

Foto: Divulgação | Robert Half Brasil

A inteligência artificial deixou de ser uma habilidade restrita aos profissionais de tecnologia e passou a aparecer entre as competências mais valorizadas em áreas como finanças, recursos humanos, jurídico, engenharia e marketing. Ao mesmo tempo, quase metade dos trabalhadores brasileiros avalia uma mudança de emprego ainda em 2026.

Pesquisa da Robert Half com 1.000 profissionais mostra que 47% pretendem buscar uma nova oportunidade no segundo semestre deste ano. Desse grupo, 16% já estavam procurando emprego e 31% planejavam iniciar a busca até dezembro.

Outro levantamento da consultoria mostra que 74% dos profissionais estão mais cautelosos ao avaliar uma proposta e 94% consideram segurança no trabalho extremamente ou muito importante na decisão de carreira.

A mudança acontece ao mesmo tempo em que as empresas procuram profissionais capazes de combinar conhecimento técnico, domínio de dados, inteligência artificial e visão de negócios.

O Guia Salarial 2026 da Robert Half aponta demanda por conhecimentos ligados à IA generativa em áreas que tradicionalmente não tinham relação direta com programação.

Em Finanças e Contabilidade, por exemplo, análise de dados, inteligência artificial e conhecimento tributário aparecem entre as competências mais valorizadas. No Jurídico, o uso de IA, negociação e conhecimento sobre a Reforma Tributária ganham peso. Em Recursos Humanos, análise de dados e inteligência artificial também aparecem entre os diferenciais de remuneração.

“As empresas buscam profissionais com domínio de dados e sistemas inteligentes, mas que também tenham abertura para enxergar o negócio como um todo. A visão integrada é um diferencial competitivo”, afirmou Laís Vasconcelos, em discussão da Robert Half sobre o Guia Salarial 2026.

A percepção também aparece entre os trabalhadores. Segundo o Índice de Confiança do Trabalhador do LinkedIn, 81% dos profissionais brasileiros afirmam que as ferramentas de IA aumentam sua eficiência no trabalho. Ao mesmo tempo, 33% demonstram preocupação com os impactos da tecnologia sobre suas carreiras, percentual que dobrou em um ano.

Comunicação continua valendo

A tecnologia, porém, não aparece sozinha.

A lista Habilidades em Alta 2026, do LinkedIn, destaca também competências como comunicação, storytelling, liderança de projetos, gestão de stakeholders e capacidade de transformar dados em decisões.

“As mudanças estão muito rápidas. O profissional de 2026 precisa ser adaptável, resiliente e, acima de tudo, aberto ao aprendizado contínuo”, afirmou Laís Vasconcelos, da Robert Half.

Para quem pensa em mudar de emprego, isso significa que dominar uma ferramenta específica pode não ser suficiente. As empresas tendem a valorizar profissionais capazes de entender tecnologia, aplicar informação ao negócio e explicar decisões com clareza.

A seletividade também aumentou do outro lado da mesa.

“Quando um profissional está mais cauteloso, apresentar uma vaga deixa de ser suficiente. O contratante precisa responder à pergunta que está por trás dessa decisão: por que vale a pena assumir o risco de uma mudança neste momento?”, afirmou Marcela Esteves, diretora da Robert Half.

Com 47% dos profissionais considerando uma mudança e empresas disputando competências cada vez mais específicas, 2026 criou um cenário curioso: existe procura por vagas, mas também dificuldade para preencher posições qualificadas. Para quem planeja a carreira, atualização deixou de ser apenas diferencial e passou a fazer parte da própria manutenção da empregabilidade.

As últimas

Para o topo