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Review: Gears of War: E-Day reencontra a brutalidade da série, mas não acerta tudo

Game (Foto: XBOX Wire Editor)

Jogo se passa 14 anos antes do primeiro Gears of War e mostra o chamado Emergence Day.

XBOX Wire Editor

Gears of War: E-Day volta às origens para contar o começo da invasão Locust e reencontrar Marcus Fenix e Dominic Santiago antes dos acontecimentos do primeiro jogo.

O resultado é um dos combates mais fortes que a franquia já teve, embalado por uma apresentação visual impressionante, mas também por uma campanha que nem sempre sustenta o mesmo nível fora dos confrontos.

Lançado em 6 de outubro para Xbox Series X|S e PC, o jogo se passa 14 anos antes do primeiro Gears of War e mostra o chamado Emergence Day, momento em que os Locust surgem e transformam a superfície em uma zona de guerra.

A escolha de voltar no tempo funciona porque devolve à série um peso que havia se diluído em capítulos mais recentes. E-Day não precisa explicar um universo gigantesco desde o início. Ele começa com caos, medo e sobrevivência.

Combate é o grande acerto

O sistema de combate é o ponto mais forte. A estrutura de cobertura continua sendo a base, mas está mais ágil, agressiva e vertical. O jogador se movimenta melhor entre obstáculos, enfrenta inimigos mais pressionadores e participa de arenas que exigem menos passividade.

Há também mais destruição de cenário, inteligência artificial mais ativa e uma sensação maior de impacto nas armas. O jogo continua sendo Gears no sentido mais reconhecível: escopetas a curta distância, rifles pesados, granadas, execuções e confrontos que raramente deixam o jogador confortável.

A Creative Bloq destacou justamente a combinação entre movimentação mais flexível, destruição em tempo real e cenários que abrem espaço para confrontos menos engessados.

Esse é o ponto em que E-Day mais acerta: ele entende que modernizar Gears não significa abandonar o que sempre funcionou.

Visual impressiona de verdade

Construído na Unreal Engine 5, E-Day também é uma vitrine técnica.

Kalona, a cidade que concentra boa parte da campanha, alterna áreas urbanas destruídas, interiores apertados, zonas militares e espaços em colapso. A iluminação, os efeitos de partículas e a escala das cenas ajudam a transformar a invasão em algo mais físico e menos cinematográfico no sentido genérico.

A própria The Coalition tratou o projeto como um retorno às bases da franquia, com foco em combate brutal, narrativa emocional e escala cinematográfica.

No PC, a parceria com a NVIDIA também ampliou o foco em desempenho, resposta e fidelidade visual.

Nem tudo funciona fora das batalhas

O problema aparece quando o ritmo desacelera.

Parte da campanha tenta ampliar a exploração com pequenas áreas abertas, atividades paralelas e momentos de investigação. A intenção é boa, mas nem sempre combina com a urgência da história.

Algumas missões secundárias soam repetitivas e interrompem uma campanha que funciona melhor quando mantém tensão constante. A crítica do Guardian foi ainda mais dura: elogiou o combate, mas considerou decepcionante boa parte do que cerca essas sequências.

Esse contraste define o jogo.

Quando E-Day coloca Marcus, Dom e o restante do esquadrão sob pressão, ele é excelente. Quando tenta alongar a experiência com conteúdo complementar, perde força.

Marcus e Dom sustentam a história

Narrativamente, o maior trunfo está na relação entre Marcus Fenix e Dominic Santiago.

A franquia sempre usou a amizade entre os dois como base emocional, mas aqui essa relação ganha mais espaço porque ainda está sendo formada. É um Marcus mais jovem, menos endurecido, e um Dom que ainda tenta conciliar vida pessoal e guerra.

A volta ao começo também ajuda novos jogadores. Não é necessário conhecer todos os capítulos anteriores para entender o conflito principal, embora fãs antigos encontrem referências que aumentam o peso de algumas cenas.

Vale a pena?

Sim, principalmente para quem gosta de shooters em terceira pessoa e para fãs da série.

Gears of War: E-Day não reinventa a franquia, mas faz algo talvez mais importante: recupera sua identidade.

O combate está entre os melhores da série, o visual é um dos mais fortes do Xbox nesta geração e a atmosfera de invasão funciona muito bem. Os problemas aparecem no excesso de conteúdo secundário e em momentos de ritmo irregular.

Ainda assim, quando E-Day entra em combate, poucas franquias conseguem oferecer a mesma combinação de peso, brutalidade e espetáculo.

Nota: 8,5/10

Pontos fortes

Combate pesado e refinado
Visual de alto nível
Boa ambientação do Emergence Day
Marcus e Dom funcionam como núcleo emocional
Movimentação mais moderna sem descaracterizar a série

Pontos fracos

Conteúdo secundário quebra o ritmo
Algumas áreas abertas parecem alongar a campanha
Narrativa perde força em momentos fora da ação

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