A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Ministério Público Eleitoral nesta quinta-feira (8). Com isso, pediu uma investigação sobre o Brasil 22 Token (B22), uma criptomoeda ligada à divulgação de conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.
Segundo a representação, o projeto utiliza o site brasil22token.com para distribuir ativos digitais a quem compartilha publicações relacionadas ao número 22, usado por Flávio na disputa eleitoral. Até o momento, porém, as autoridades não identificaram oficialmente os responsáveis pela iniciativa.
O caso ganhou repercussão após o perfil HypersKids Africa publicar um vídeo no Instagram. Nas imagens, crianças vestem camisetas com a marca da criptomoeda e cantam: “Vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro”. Além disso, a publicação incentiva os seguidores a participar do projeto e compartilhar o conteúdo nas redes sociais.
De acordo com a denúncia, uma carteira digital transferiu 120 milhões de tokens para outra carteira ligada ao grupo ugandense. Nesse contexto, a campanha de Lula afirma que as unidades valiam aproximadamente R$ 104,5 mil em 8 de outubro.
Além dessa transferência, o projeto prevê distribuir 30 mil tokens para cada uma das primeiras mil pessoas que divulgarem conteúdos nas redes sociais. Ao mesmo tempo, o site informa que pretende destinar parte dos recursos a iniciativas voltadas para crianças de Uganda.
Campanha pede investigação sobre possíveis crimes eleitorais
Diante desse cenário, a equipe de Lula pede que o Ministério Público apure se a distribuição de criptomoedas em troca da divulgação de mensagens eleitorais viola a legislação brasileira. Para isso, a representação cita possíveis crimes relacionados à propaganda eleitoral e à oferta de vantagens para obter votos.
Além de solicitar a investigação, a campanha pede a preservação de registros digitais e a identificação dos responsáveis pelo site e pelas carteiras utilizadas nas transações. Da mesma forma, solicita que as autoridades avaliem o uso da imagem de crianças estrangeiras em conteúdos relacionados à divulgação eleitoral.
Por outro lado, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou desconhecer os responsáveis pela iniciativa e negou qualquer vínculo com o projeto:
“Aequipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro vai entrar com medidas judiciais contra a publicação mencionada nas esferas eleitoral, cível e criminal para derrubar o site. A campanha desconhece a autoria do site citado, assim como não tem qualquer relação com o seu conteúdo e nem com a venda de criptomoedas” afirmou a equipe de Flávio ao Exame.
Por fim, as suspeitas apresentadas pela campanha petista ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. Portanto, a apresentação da denúncia não comprova, por si só, a ocorrência de crimes eleitorais.
