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Review de Hellraiser: Revival acerta na atmosfera, mas tropeça em bugs e combate irregular

Jogo (Foto: Playstation | Divulgação)

Jogo transforma o universo de Clive Barker em survival horror para PS5, Xbox, Switch 2 e PC.

Foto: Playstation | Divulgação

“Clive Barker’s Hellraiser: Revival” chegou aos consoles e PC nesta quinta-feira (8) com uma missão complicada: transformar uma das franquias mais perturbadoras do cinema de terror em um jogo que funcione além do peso de Pinhead e dos Cenobitas.

O resultado é irregular, mas interessante.

Desenvolvido pela Saber Interactive e Boss Team Games, “Hellraiser: Revival” aposta em uma experiência single-player de survival horror e ação, evitando o modelo de multiplayer assimétrico adotado por outras franquias de terror. O jogo foi lançado para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

A história acompanha Aidan Lynch, que precisa entrar no universo dos Cenobitas depois que sua namorada, Sunny, desaparece após o contato com a Genesis Configuration, uma nova versão da famosa caixa-enigma da franquia.

Doug Bradley, intérprete clássico de Pinhead no cinema, retorna para dar voz ao personagem.

Hellraiser sem economizar no terror

Visualmente, o jogo entende bem o material de origem.

Corredores claustrofóbicos, estruturas orgânicas, ambientes industriais, sangue e criaturas grotescas ajudam a reproduzir a mistura de dor, prazer e horror corporal que marcou os primeiros filmes de “Hellraiser”.

O GamesRadar considerou o título uma homenagem fiel aos filmes originais e destacou principalmente os ambientes e as sequências ambientadas no Labirinto.

A publicação resumiu a experiência como “uma verdadeira carta de amor aos filmes originais”.

Já o Giant Bomb destacou justamente o desconforto provocado pela direção artística.

“Hellraiser: Revival quer fazer você se contorcer”, escreveu Jason Fanelli na análise do jogo.

É provavelmente o maior acerto do projeto.

Mesmo quando a jogabilidade não acompanha, existe uma identidade visual clara. O Labirinto dos Cenobitas está entre os ambientes mais interessantes do jogo e representa melhor o universo criado originalmente por Clive Barker.

Resident Evil aparece na fórmula

Na jogabilidade, as influências são fáceis de identificar.

“Hellraiser: Revival” mistura exploração, administração de recursos, combate, quebra-cabeças e momentos de perseguição. A estrutura lembra especialmente títulos recentes de “Resident Evil”, embora acrescente poderes ligados à Genesis Configuration.

O problema é que nem todos esses sistemas têm a mesma qualidade.

O combate com armas funciona, mas pode ficar repetitivo. Algumas batalhas contra chefes são longas demais e determinados trechos de furtividade quebram o ritmo.

A Creative Bloq avaliou que o jogo tem ideias visualmente fortes, mas não aprofunda suas mecânicas no mesmo nível de experiências como “Dishonored”.

O GamesRadar chegou a conclusão semelhante: a atmosfera funciona melhor do que o combate propriamente dito.

Pinhead continua sendo o grande personagem

Doug Bradley é uma das decisões mais acertadas do jogo.

A voz original ajuda a dar legitimidade a Pinhead e cria uma conexão imediata com os filmes mais conhecidos da franquia.

O personagem não aparece o tempo inteiro, o que também funciona a favor da narrativa. Quando entra em cena, sua presença tem peso.

O Game Informer destacou justamente a atuação de Bradley mesmo em uma crítica bastante negativa ao restante do jogo.

Para quem conhece os filmes, há uma familiaridade imediata. Para quem chega ao universo de Hellraiser pelo game, Pinhead funciona como uma presença constante mesmo quando está fora da tela.

Bugs atrapalham bastante

O principal problema técnico está na falta de acabamento.

A análise do Tom’s Guide registrou glitches, carregamento tardio de texturas, travamentos e até erros capazes de impedir o avanço da campanha.

O Game Informer também apontou uma quantidade significativa de bugs e avaliou que os problemas técnicos prejudicam uma experiência que já apresenta limitações mecânicas.

Curiosamente, a experiência não parece ser igual em todas as plataformas e configurações.

A Saving Content, testando no Linux, relatou desempenho bastante estável e média de aproximadamente 115 quadros por segundo com configurações altas.

Isso sugere que o estado técnico pode variar bastante conforme a plataforma.

Quanto tempo dura?

A campanha fica aproximadamente entre oito e nove horas, dependendo do ritmo de exploração.

É uma duração adequada para o tipo de experiência proposta.

O jogo não tenta estender artificialmente a campanha para dezenas de horas, mas alguns confrontos e sequências poderiam ser mais curtos.

O preço internacional indicado no lançamento ficou em US$ 39,99, abaixo do padrão de US$ 69,99 normalmente cobrado por grandes lançamentos.

Para quem vale a pena?

Para fãs de Hellraiser, há bastante coisa aqui.

A direção artística respeita o universo original, Doug Bradley retorna como Pinhead e o jogo não tenta suavizar o material para atingir um público maior.

Para quem procura apenas um grande survival horror, a situação é mais complicada.

“Resident Evil” e outros nomes do gênero apresentam sistemas mais refinados de combate e exploração. “Hellraiser: Revival” compensa parte dessa diferença com personalidade, mas nem sempre consegue esconder suas limitações.

A recepção da crítica reflete essa divisão. Um levantamento publicado após o lançamento apontava média próxima de 74/100 entre as análises especializadas.

Review

Gráficos e direção de arte: 9/10

O Labirinto e os Cenobitas são o principal motivo para conhecer o jogo.

Atmosfera: 9/10

É desconfortável, pesado e visualmente fiel ao universo de Clive Barker.

História: 8/10

Funciona principalmente pela ligação com a mitologia da franquia.

Jogabilidade: 7/10

Boa base de survival horror, mas combate e furtividade poderiam ser mais refinados.

Desempenho técnico: 6,5/10

Os relatos de bugs e travamentos pesam bastante, embora variem entre plataformas.

Nota: 8/10

“Hellraiser: Revival” não redefine o survival horror e nem consegue manter o mesmo nível em todas as suas mecânicas. Mas acerta justamente no ponto em que uma adaptação de Hellraiser não poderia falhar: transformar o mundo de Clive Barker em um lugar perturbador, estranho e imediatamente reconhecível.

Os bugs podem ser corrigidos. O Labirinto, Pinhead e a identidade visual já estão lá.

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