Comprar um drone deixou de significar necessariamente gastar dezenas de milhares de reais. Hoje, é possível encontrar no Brasil modelos compactos por cerca de R$ 1,4 mil, enquanto equipamentos voltados a cinema profissional ultrapassam R$ 140 mil.
Entre um extremo e outro estão drones para viagem, produção de conteúdo, esportes, imagens imobiliárias, publicidade e audiovisual profissional.
O preço, porém, não aumenta apenas pela resolução da câmera. Sensor, estabilização, autonomia, detecção de obstáculos, transmissão de vídeo e tipo de controle fazem diferença significativa.
A seguir, uma seleção de modelos encontrados no mercado brasileiro, organizada do mais barato ao mais caro.
DJI Neo — cerca de R$ 1.450
O Neo ocupa a porta de entrada entre os drones de marca mais conhecida.
Com apenas 135 gramas, grava em 4K a 30 quadros por segundo e tem autonomia máxima anunciada de aproximadamente 18 minutos. A proposta é simples: vídeos rápidos, viagens, redes sociais e acompanhamento automático de pessoas. (dji.com)
Uma das vantagens é poder decolar da palma da mão e funcionar sem um controle convencional em determinadas situações.
O preço encontrado para a versão básica gira atualmente em torno de R$ 1.450.
O ponto fraco está justamente na simplicidade: câmera e estabilização ficam abaixo dos modelos Mini e não há a mesma estrutura de sensores de obstáculos de equipamentos mais caros.
Para quem quer experimentar um drone pela primeira vez, entretanto, é uma das formas mais baratas de entrar no ecossistema DJI.
DJI Neo 2 — a partir de cerca de R$ 1.700
O Neo 2 melhora bastante a proposta do primeiro modelo.
O peso sobe para 151 gramas, mas a câmera passa a gravar em 4K/60 fps, com slow motion de até 4K/100 fps. O gimbal também passa de um para dois eixos e o modelo ganha detecção omnidirecional de obstáculos. (store.dji.com)
A autonomia oficial é de até 19 minutos, enquanto o armazenamento interno chega a 49 GB.
Também aparecem recursos como controle por gestos, retorno à palma da mão e modos de acompanhamento mais sofisticados.
No varejo brasileiro, há unidades anunciadas a partir de aproximadamente R$ 1.700, embora os kits completos possam custar bem mais.
Dentro da linha de entrada, é uma diferença relevante por algumas centenas de reais.
DJI Mini 4K — cerca de R$ 2.800
A partir daqui aparece um drone com aparência e comportamento mais próximos dos modelos tradicionais da DJI.
O Mini 4K pesa 246 gramas e grava vídeos em 4K/30 fps, além de fotografar em RAW e oferecer gimbal mecânico de três eixos. (dji.com)
Isso muda bastante a qualidade da imagem em movimentos de câmera.
O modelo é encontrado por cerca de R$ 2,8 mil na configuração padrão, enquanto kits com baterias extras e acessórios podem ultrapassar R$ 4 mil.
É uma opção interessante para viagens, imóveis e vídeos institucionais quando não há necessidade dos recursos avançados dos modelos Pro.
DJI Flip — entre R$ 4,5 mil e R$ 5 mil
O Flip ocupa uma faixa intermediária e tenta misturar facilidade de uso com câmera mais competente.
O drone pesa menos de 249 gramas e oferece autonomia máxima anunciada de 31 minutos. (dji.com)
O design chama atenção pela proteção integrada das hélices, o que ajuda principalmente quem está começando ou pretende fazer voos próximos do operador.
O modelo já oferece câmera mais adequada para produção de conteúdo do que o Neo e recursos automáticos de rastreamento.
No Brasil, unidades da versão padrão aparecem por aproximadamente R$ 4,5 mil.
Nesse nível de preço, começa a ser importante analisar se o objetivo é praticidade ou qualidade máxima de câmera, porque modelos da linha Mini Pro começam a entrar na mesma discussão.
DJI Avata 2 — cerca de R$ 6 mil em kit de entrada
O Avata 2 é diferente dos demais.
Ele foi feito para FPV, modalidade em que o piloto utiliza óculos e tem a sensação de estar dentro do drone.
A câmera possui sensor de 1/1,3 polegada e grava em 4K/60 fps HDR. A autonomia máxima anunciada é de 23 minutos e o equipamento possui 46 GB de armazenamento interno. (dji.com)
O modelo também tem proteção das hélices integrada à estrutura e permite manobras mais agressivas.
Kits encontrados no Brasil começam próximos de R$ 6 mil e podem ultrapassar R$ 8 mil conforme óculos, controle e quantidade de baterias.
É um produto para outro tipo de imagem: acompanhamento de carros, esportes, interiores e tomadas rápidas nas quais um Mini ou Mavic não entrega a mesma sensação de velocidade.
DJI Mini 5 Pro — entre R$ 8 mil e R$ 12 mil
O Mini 5 Pro levou um sensor de 1 polegada para um equipamento de aproximadamente 249 gramas.
A câmera principal chega a 50 megapixels e grava em 4K/60 fps HDR e 4K/120 fps em câmera lenta. O modelo também oferece sensores omnidirecionais e recursos de detecção para voos noturnos. (store.dji.com)
A autonomia pode chegar a 52 minutos em determinadas configurações de bateria, segundo a DJI. A versão e a bateria utilizadas, entretanto, podem alterar o peso final da aeronave. (store.dji.com)
No Brasil, o preço muda bastante. Há Fly More Combo perto de R$ 9,9 mil e kits com controle com tela e bateria Plus acima de R$ 12 mil.
Aqui já se entra em um equipamento capaz de atender boa parte dos trabalhos profissionais de viagem, turismo, imóveis e conteúdo digital.
DJI Air 3S — cerca de R$ 14 mil
O Air 3S deixa a categoria ultracompacta e entra com mais força no uso profissional.
Ele pesa 724 gramas e traz duas câmeras: uma principal com sensor de 1 polegada e 50 megapixels e uma tele de 70 mm equivalente, com sensor de 1/1,3 polegada e 48 megapixels. (dji.com)
A autonomia máxima é de 45 minutos.
Outro diferencial é o sistema de detecção omnidirecional de obstáculos complementado por LiDAR frontal, recurso especialmente útil em condições de pouca luz. (dji.com)
O vídeo chega a 4K/120 fps, com gravação em 10 bits nos modos avançados.
No varejo brasileiro, o Fly More Combo aparece na faixa de R$ 13,7 mil a R$ 15,2 mil.
Para produtoras pequenas e profissionais que trabalham com eventos, turismo, esportes ou mercado imobiliário, é uma faixa em que a diferença de imagem começa a ficar bastante clara.
DJI Mavic 4 Pro — de R$ 25 mil a quase R$ 38 mil
O salto seguinte é o Mavic 4 Pro.
O modelo pesa 1.063 gramas e possui três câmeras. A principal utiliza sensor CMOS 4/3 Hasselblad de até 100 megapixels, acompanhada por duas lentes tele. (store.dji.com)
A câmera Hasselblad grava em até 6K/60 fps HDR, enquanto o 4K pode chegar a 120 fps.
A autonomia máxima anunciada é de 51 minutos e a transmissão de vídeo pode alcançar até 30 quilômetros no padrão FCC, embora limites operacionais e regulamentação local devam sempre ser respeitados. (store.dji.com)
No Brasil, o Fly More Combo aparece próximo de R$ 25 mil a R$ 30 mil.
Já o Creator Combo de 512 GB, com controle RC Pro 2 e conjunto mais completo de acessórios, pode passar de R$ 35 mil.
É um drone pensado para quem já trata a câmera aérea como equipamento principal de produção.
DJI Inspire 3 — mais de R$ 140 mil no Brasil
No topo estão equipamentos que já não competem com drones de viagem.
O Inspire 3 é voltado para cinema e grandes produções.
A câmera Zenmuse X9-8K Air utiliza sensor full frame de 35 mm e pode gravar imagens em até 8K. O sistema aceita diferentes lentes e permite operação com piloto e operador de câmera separados. (dji.com)
No Brasil, kits com câmera X9-8K e controle RC Plus são encontrados acima de R$ 140 mil.
Nesse nível, o drone deixa de ser tratado como eletrônico de consumo e passa a integrar estruturas de produção cinematográfica.
O que realmente muda do barato para o caro?
O avanço de preço pode ser resumido em cinco pontos.
Nos modelos mais baratos, a prioridade está em portabilidade e automação. Conforme o preço sobe, entram sensores maiores, mais alcance dinâmico, gravação em formatos profissionais, múltiplas câmeras, maior resistência ao vento e sistemas mais sofisticados de prevenção de colisões.
Também cresce a autonomia.
O Neo oferece cerca de 18 minutos. O Flip chega a 31 minutos. O Air 3S, a 45. O Mavic 4 Pro alcança 51 minutos nas condições utilizadas pela fabricante.
Mas talvez a maior diferença esteja na câmera.
Um Neo serve perfeitamente para um vídeo rápido de viagem. Um Air 3S começa a entregar material que pode entrar em uma produção profissional com pouca dificuldade. Mavic 4 Pro e Inspire 3 entram em outra categoria de exigência de imagem.
Atenção às regras no Brasil
O peso também interfere na regulamentação.
Em junho de 2026, a Agência Nacional de Aviação Civil atualizou as regras para aeronaves não tripuladas. Drones de até 250 gramas passaram a ter tratamento específico e simplificado para operações dentro das condições estabelecidas pela ANAC. (gov.br)
A Resolução nº 806 estabelece que operações com aeronaves de até 250 gramas podem ocorrer em VLOS ou EVLOS sob responsabilidade do piloto e respeitando também as regras do Departamento de Controle do Espaço Aéreo e de outros órgãos. (anac.gov.br)
Acima de 250 gramas, entram exigências adicionais de cadastro e enquadramento conforme o tipo e o risco da operação.
Por isso, escolher entre um Mini com menos de 250 gramas e um Air ou Mavic não envolve apenas qualidade de imagem e preço. Peso, tipo de trabalho e local de operação também entram na conta.
Do mais barato ao mais caro
DJI Neo — cerca de R$ 1.450
DJI Neo 2 — cerca de R$ 1.700
DJI Mini 4K — cerca de R$ 2.800
DJI Flip — cerca de R$ 4.500
DJI Avata 2 — a partir de cerca de R$ 6.000 em combo
DJI Mini 5 Pro — aproximadamente R$ 8 mil a R$ 12 mil
DJI Air 3S — aproximadamente R$ 14 mil
DJI Mavic 4 Pro — aproximadamente R$ 25 mil a R$ 38 mil
DJI Inspire 3 — acima de R$ 140 mil
Os valores são referências encontradas no varejo em outubro de 2026 e podem variar de acordo com vendedor, controle, homologação, baterias e acessórios incluídos.
