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Imprensa internacional vê fim da escala 6×1 como impulso para campanha de Lula

Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Jornais estrangeiros apontam a aprovação do fim da escala 6×1 como possível trunfo eleitoral de Lula antes do segundo turno.

(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado brasileiro ganhou destaque na imprensa internacional. Veículos como The Guardian, BBC e Financial Times avaliaram que a medida pode fortalecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL).

O Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) em primeiro turno na quarta-feira (14). O texto prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial, e estabelece a diminuição da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, conforme destacou o Washington Post.

O britânico The Guardian classificou a aprovação como uma “vitória política” para Lula. Segundo o jornal, a mudança afeta principalmente trabalhadores do comércio varejista, restaurantes e hotéis, grupos de baixa renda que, de acordo com a publicação, reduziram seu apoio ao presidente desde a eleição de 2022.

A BBC, por sua vez, descreveu o fim da escala 6×1 como a maior reforma dos direitos trabalhistas desde a redemocratização, em 1988. A emissora também destacou a expectativa de aliados de Lula de que a medida beneficie mais de 30 milhões de trabalhadores e contribua para a campanha presidencial.

O Financial Times lembrou que o fim da escala 6×1 era uma promessa de campanha do presidente. O jornal londrino também apontou uma mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro, que havia se oposto à reforma durante meses, mas declarou apoio à proposta na semana da votação.

Já o Washington Post destacou o prazo de 14 meses previsto para que as empresas adotem a jornada mais curta. Segundo a reportagem, o período de adaptação foi um ponto central das negociações, já que representantes empresariais e parlamentares defendiam uma implementação gradual ao longo de dez anos.

Na França, o Le Monde afirmou que o governo federal defendia a mudança havia meses e que Lula conta com a medida para reduzir a diferença em relação a Flávio Bolsonaro antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na Espanha, o El País também relacionou a aprovação a uma vitória política para o presidente e destacou as expectativas da campanha petista.

Outros veículos apresentaram ressalvas e aspectos adicionais da proposta. A alemã Deutsche Welle estimou que mais de 37 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados, mas observou que profissionais da economia informal, como autônomos e entregadores, podem ficar de fora. Na Argentina, o La Nación relembrou a tramitação da PEC, enquanto o Clarín destacou críticas de senadores da oposição à votação em meio ao calendário eleitoral.

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