Lifestyle

Inteligência artificial na beleza começa a mudar produtos e experiências

A inteligência artificial transforma o mercado da beleza, ajudando na criação de produtos, personalização de cuidados e análise de dados

A inteligência artificial na beleza começa a transformar a indústria de cosméticos, com aplicações no desenvolvimento de produtos, personalização de cuidados, análise de dados e pesquisas com novos ingredientes.

Imagem: Gerada por IA

A inteligência artificial já está entrando em uma área que faz parte da rotina de milhões de brasileiros: os cuidados com a beleza. Na indústria de cosméticos, a tecnologia começa a ser usada para analisar dados, escolher matérias-primas, testar formulações e criar produtos mais próximos das necessidades de cada consumidor.

O movimento ganha ainda mais importância no Brasil, que ocupa a terceira posição entre os maiores mercados consumidores de beleza e cuidados pessoais do mundo. Além disso, o país aparece em quarto lugar no ranking global de lançamentos de produtos do setor. Com um mercado tão movimentado, encontrar maneiras mais rápidas e precisas de desenvolver novidades se tornou uma prioridade para a indústria.

Da fórmula à recomendação do produto

Na prática, a inteligência artificial já pode participar de etapas que acontecem muito antes de um cosmético chegar às prateleiras. Segundo informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), ferramentas digitais podem ajudar na seleção de matérias-primas, na elaboração de formulações, na realização de testes e na identificação de padrões.

Com isso, pesquisadores conseguem trabalhar com uma quantidade maior de informações e encontrar relações que poderiam levar mais tempo para serem identificadas por métodos tradicionais. Dessa forma, a tecnologia funciona como apoio ao conhecimento dos profissionais e pode acelerar determinadas etapas do desenvolvimento.

Além disso, a mudança chega ao momento em que o consumidor escolhe o produto. Sistemas de análise facial e capilar conseguem mapear características da pele e dos cabelos e, a partir dessas informações, auxiliar na indicação de produtos mais adequados para cada pessoa.

Beleza personalizada ganha força

A personalização é, portanto, uma das áreas em que a inteligência artificial pode ter impacto mais perceptível para o consumidor.

Em vez de uma recomendação igual para todo mundo, a tecnologia permite cruzar informações sobre características individuais e preferências para chegar a sugestões mais direcionadas. Por exemplo, ferramentas de análise podem considerar aspectos da pele ou dos cabelos antes de indicar determinados produtos.

Nesse sentido, a tendência vai além de simplesmente recomendar um creme ou shampoo. A indústria começa a trabalhar com uma visão mais ampla do consumidor, utilizando dados, diagnósticos e novas tecnologias para compreender diferentes necessidades.

Ao mesmo tempo, a ABIHPEC aponta que a personalização baseada em dados, diagnósticos e outras informações individuais está entre os movimentos que devem transformar a indústria de beleza e cuidados pessoais.

IA e biotecnologia trabalham juntas

Outro ponto que chama atenção é a aproximação entre inteligência artificial e biotecnologia. A combinação das duas áreas pode ajudar pesquisadores a identificar e estudar moléculas e ingredientes com potencial de aplicação em cosméticos.

Além disso, a biotecnologia permite desenvolver ingredientes por meio de processos controlados. Com isso, a indústria pode ampliar a capacidade de produção e buscar um aproveitamento mais eficiente de recursos.

Isso mostra que a inovação no setor não depende de uma única tecnologia. Pelo contrário, IA, biotecnologia, diagnóstico, dados e novas formas de avaliação começam a trabalhar de maneira integrada.

A ABIHPEC destaca tendências como o cuidado com o couro cabeludo, o microbioma, a diversidade capilar e o conceito de Skinification, que aproxima os cuidados com os cabelos de práticas já conhecidas no skincare.

Nesse cenário, a tecnologia pode ajudar a entender melhor as características dos fios e do couro cabeludo. Assim, empresas conseguem buscar soluções cada vez mais específicas para diferentes perfis de consumidores.

E quais são os riscos?

Apesar das oportunidades, quanto mais dados entram nos processos de desenvolvimento e personalização, maior também é a preocupação com a forma como essas informações são armazenadas e utilizadas.

Por isso, a indústria precisa lidar com questões como segurança de dados, propriedade intelectual, autoria de informações e proteção de pesquisas. Fórmulas, dados de consumidores e informações estratégicas podem ter grande valor para as empresas.

No entanto, o avanço da inteligência artificial não depende apenas da criação de ferramentas mais eficientes. Também exige regras e critérios para determinar como essas tecnologias serão utilizadas. Nesse sentido, a ABIHPEC destaca esses pontos entre os desafios relacionados à adoção da IA no setor.

Summit Inovação discute avanço da tecnologia

Diante desse cenário, o impacto da inteligência artificial na indústria da beleza está entre os assuntos discutidos no Summit Inovação ABIHPEC 2026, que acontece nesta quarta-feira (7), em São Paulo.

O evento reúne representantes de empresas, especialistas e diferentes integrantes do ecossistema de inovação para discutir tecnologias e aplicações práticas no setor de Beleza e Cuidados Pessoais. A programação inclui temas como inteligência artificial, dados, personalização, biotecnologia, inovação aberta, longevidade e sustentabilidade.

O encontro começou na terça-feira (6) e segue hoje, das 8h às 17h, na ESPM, na Rua Doutor Álvaro Alvim, 123, em São Paulo.

No fim das contas, o avanço dessas ferramentas mostra uma mudança na própria indústria. O desenvolvimento de um produto de beleza está cada vez mais ligado à ciência, aos dados e à capacidade de entender o que cada consumidor procura.

As últimas

Para o topo