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Bloco de Netanyahu perde 11 cadeiras e fica sem maioria após eleição em Israel

Likud (Foto: Benjamin Netanyahu no X | Divulgação)

Likud termina como maior partido, mas coalizão do premiê cai de 64 para 53 deputados.

Benjamin Netanyahu terminou a eleição israelense à frente no tamanho individual de seu partido, mas sem a maioria necessária para garantir a continuidade de seu governo. Com a apuração concluída nesta quinta-feira (29), o bloco liderado pelo primeiro-ministro ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset, oito abaixo das 61 necessárias para formar uma maioria parlamentar. Antes da eleição, a coalizão de Netanyahu controlava 64 assentos.

O resultado representa uma perda de 11 cadeiras para o grupo formado por Likud, partidos de extrema direita e legendas ultraortodoxas.

O Likud permaneceu como o maior partido de Israel, com 27 deputados, enquanto o Yashar, liderado pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot, conquistou 21. O bloco tradicional de oposição alcançou 48 cadeiras. Outros 19 assentos ficaram com os dois partidos árabes, Ra’am e Lista Conjunta.

Somados, partidos de oposição e legendas árabes controlam 67 cadeiras — seis acima da maioria absoluta. A soma, porém, não significa automaticamente a formação de um governo: parte da oposição rejeitou durante a campanha depender do apoio dos partidos árabes.

Netanyahu perde maioria que sustentava governo

O número mais incômodo para Netanyahu está na comparação com a legislatura anterior. A coalizão que o sustentava tinha 64 deputados. Sai das urnas com 53, uma redução de aproximadamente 17% de sua bancada parlamentar.

A perda deixa Netanyahu sem condições de simplesmente reeditar o governo anterior. Para continuar como primeiro-ministro, ele terá de convencer partidos que fizeram campanha contra seu governo, atrair deputados de outros grupos ou construir uma coalizão diferente da que o acompanhou nos últimos anos.

Enquanto as negociações não terminarem, Netanyahu permanece como primeiro-ministro interino. O presidente Isaac Herzog receberá os resultados oficiais e consultará os partidos antes de escolher quem terá a primeira oportunidade de tentar formar um governo. O escolhido poderá ter até 42 dias para alcançar os 61 votos necessários.

Partidos árabes avançam e passam a ser decisivos

Outro resultado expressivo veio do eleitorado árabe. Ra’am conquistou oito cadeiras e a Lista Conjunta, 11. Juntas, as duas legendas chegaram a 19 representantes, quase o dobro da representação que possuíam antes da eleição.

O crescimento pode ser decisivo para impedir a formação de uma nova coalizão de Netanyahu. Yousef Jabareen, da Lista Conjunta, afirmou que o partido admite apoiar externamente um governo liderado por Eisenkot, embora descarte integrar formalmente a coalizão.

Já Mansour Abbas, líder do Ra’am, declarou disposição para participar de uma eventual composição. Eisenkot, porém, havia rejeitado durante a campanha a possibilidade de depender dos partidos árabes.

A matemática eleitoral agora coloca justamente esse tema no centro das negociações.

Mesmo terminando atrás do Likud individualmente, Eisenkot tratou o resultado como uma rejeição ao atual primeiro-ministro. “O público israelense votou contra a permanência de Netanyahu como primeiro-ministro”, afirmou o líder do Yashar após a votação.

O ex-chefe militar também defendeu que Netanyahu reconhecesse o que chamou de perda de confiança da população. A eleição foi a primeira realizada em Israel desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e ocorreu após três anos marcados pelas guerras em Gaza, Líbano e confrontos diretos com o Irã.

Netanyahu fez campanha destacando os resultados militares de seu governo e recebeu apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Netanyahu acusa partidos árabes de fraude sem apresentar provas

Com sua coalizão abaixo da maioria, Netanyahu passou a questionar o desempenho dos partidos árabes.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro acusou as legendas de fraude eleitoral, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação. Autoridades eleitorais disseram não haver elementos que indiquem comprometimento sistemático da integridade da votação.

Líderes árabes acusaram Netanyahu de tentar deslegitimar a participação de seus eleitores.

O Shin Bet, serviço de segurança interna israelense, informou que investiga suspeitas envolvendo indivíduos e possível interferência estrangeira, mas ressaltou que as apurações não devem ser interpretadas como acusação contra o eleitorado árabe em geral.

Israel pode enfrentar semanas de impasse

A eleição, portanto, não produziu um vencedor capaz de governar sozinho.

Netanyahu tem 53 deputados em seu bloco. Eisenkot e seus aliados, 48. Os partidos árabes controlam outros 19.

Uma possibilidade seria a formação de um governo minoritário liderado por Eisenkot com apoio externo das legendas árabes, chegando a uma base potencial de 67 parlamentares. Outra alternativa seria um governo de unidade envolvendo Likud e partidos centristas, cenário que exigiria rompimentos de compromissos assumidos durante a campanha.

Caso nenhuma combinação alcance os 61 deputados necessários, Israel poderá novamente convocar eleições.

O país viveu cinco eleições entre 2019 e 2022 justamente pela dificuldade de formar coalizões estáveis.

Netanyahu, portanto, terminou a votação com o maior partido da Knesset, mas com um bloco menor, sem maioria própria e dependendo de adversários ou dissidentes para permanecer no comando do governo.

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