O aumento recente de casos de mpox no Rio de Janeiro acendeu um novo alerta para autoridades de saúde. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ), presidente da Frente Parlamentar da Vacina, o município registrou 43 casos no último mês, com dez pacientes internados e uma morte ainda em investigação.
A preocupação ocorre porque a imunização contra a mpox não é oferecida de forma universal pelo Sistema Único de Saúde. As diretrizes atuais priorizam grupos com maior risco de desenvolver formas graves, especialmente pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão, profissionais de laboratório que manipulam Orthopoxvírus e pessoas expostas a casos suspeitos ou confirmados, conforme avaliação da vigilância epidemiológica.
“O vírus da Mpox está circulando com mais intensidade no Rio de Janeiro e no Brasil”, afirmou Soranz. O parlamentar, que já comandou a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, passou a cobrar do Ministério da Saúde uma ampliação da vacinação diante do crescimento da circulação do vírus.
Soranz afirma que a quantidade de doses ainda é insuficiente para alcançar a população considerada de maior risco. Segundo ele, a maior parte desse público permanece sem vacinação. A Frente Parlamentar da Vacina é oficialmente coordenada pelo deputado na Câmara dos Deputados.
Casos voltam a chamar atenção
A mpox continua circulando no Brasil desde o surto internacional iniciado em 2022. No início de 2026, o Ministério da Saúde já havia registrado 140 casos confirmados no país até 9 de março, além de nove casos prováveis e 539 suspeitos. No período entre março de 2025 e março de 2026, foram 1.199 casos contabilizados.
No Estado do Rio, um alerta epidemiológico divulgado em fevereiro mostrava 11 casos confirmados até o dia 24 daquele mês. Em todo o ano de 2025, haviam sido registrados 117 casos confirmados, sem mortes. O surgimento de 43 diagnósticos apenas no último mês indica uma aceleração que voltou a colocar a doença no centro da vigilância sanitária.
A infectologista Marcia Rachid também tem chamado atenção para o risco em pessoas com HIV e baixa imunidade. “Mpox é muito arriscado em algumas pessoas que vivem com HIV”, afirmou.
Como reconhecer a doença
A mpox é uma doença viral que pode provocar febre, dores no corpo, dor de cabeça, aumento dos linfonodos e lesões na pele. Essas feridas podem aparecer no rosto, mãos, pés, boca, região genital e anal e evoluir até a formação de crostas.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato próximo com uma pessoa infectada, especialmente por meio das lesões, fluidos corporais, contato íntimo ou objetos contaminados.
O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde diante do aparecimento de lesões associadas a febre ou ínguas, principalmente quando houve contato próximo com uma pessoa suspeita ou diagnosticada com a doença. Pessoas vivendo com HIV/aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos apresentam maior risco de complicações.
A confirmação é feita por exame molecular, geralmente a partir da coleta de material das próprias lesões.
Vacina existe, mas acesso permanece restrito
O imunizante utilizado contra a mpox no Brasil é produzido a partir de vírus atenuado não replicante. O esquema normalmente prevê duas doses.
O Ministério da Saúde reconhece que existe escassez global de vacinas e que a estratégia brasileira permanece direcionada aos grupos considerados prioritários. Uma nota técnica atualizada em março de 2026 prevê vacinação principalmente para pessoas vivendo com HIV/aids e baixa contagem de células CD4, com possibilidade de ampliação para usuários de PrEP e profissionais de laboratório conforme disponibilidade de doses.
A vacinação não elimina completamente a possibilidade de infecção, mas estudos observacionais indicam redução da gravidade, do número de lesões e das complicações entre imunizados.
A maioria dos pacientes com mpox melhora entre duas e quatro semanas. Não há, atualmente, medicamento específico aprovado para uso geral contra a doença no Brasil, e o tratamento é voltado ao controle dos sintomas e prevenção de complicações.
Com 43 casos registrados no Rio em um mês, dez internações e uma morte ainda sob investigação, a Frente Parlamentar da Vacina passou a pressionar o Ministério da Saúde por mais doses e ampliação da cobertura nos grupos com maior risco de exposição e complicações.
