Política

Flávio Bolsonaro fala da fuga para o The New York Times e promete contestar derrota eleitoral

Flávio Bolsonaro para o The New York Times (Foto: Scott McIntyre/The New York Times)

Flávio Bolsonaro detalha fuga para os EUA para o The New York Times, questiona derrota eleitoral e promete contestar vitória de Lula.

Flávio Bolsonaro para o The New York Times (Foto: Scott McIntyre/The New York Times)

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva e chegou a Miami, nos Estados Unidos, cerca de 42 horas depois. Em sua primeira entrevista desde a saída do país, concedida ao jornal The New York Times na quarta-feira (4), o senador afirmou que organizou a viagem sozinho e pretende continuar atuando na política brasileira mesmo no exterior.

Segundo o parlamentar, a decisão de partir ocorreu na manhã seguinte à derrota eleitoral, quando recebeu a informação de que deveria entregar seus passaportes em até 24 horas. Flávio afirmou que temia enfrentar o mesmo destino do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Apesar disso, não revelou como organizou o deslocamento internacional. “Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo“, declarou.

A viagem incluiu passagens pelo Equador e pela Argentina antes da chegada aos Estados Unidos. De acordo com autoridades americanas citadas pelo jornal, um funcionário da Casa Branca providenciou o jato utilizado pelo senador, enquanto o presidente Donald Trump autorizou diretamente sua entrada no país. Flávio, porém, negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros e atribuiu a organização do trajeto à própria iniciativa.

Durante a entrevista, o senador também reafirmou sua inocência diante das investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Ele não foi acusado formalmente de nenhum crime, mas poderá perder a imunidade parlamentar quando seu mandato terminar, no início de 2027. Além disso, Flávio criticou o Judiciário brasileiro e afirmou acreditar que sua permanência no país resultaria em prisão.

Mesmo após a derrota nas urnas, Flávio Bolsonaro voltou a questionar o resultado eleitoral e alegou, sem apresentar provas, que houve irregularidades na votação. Entre suas reclamações está a prorrogação do horário de votação, medida que, segundo ele, teria favorecido Lula. Entretanto, a alteração ocorreu após problemas provocados por chuvas e atrasos no transporte público, e afetou aproximadamente 34 mil votos. Lula venceu a disputa por uma diferença de 4,4 milhões de votos.

As acusações também foram rejeitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto observadores internacionais reconheceram a integridade do processo. O próprio partido de Flávio aceitou o resultado, assim como importantes lideranças da direita latino-americana. Ainda assim, o senador manteve o discurso de fraude e afirmou ter perdido para o sistema político brasileiro.

Do exterior, Flávio pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça que as chances de reverter o resultado são pequenas. O parlamentar também planeja mobilizar aliados para defender pautas como a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Além disso, evitou esclarecer se pretende solicitar novas medidas do governo Trump contra o Brasil.

Atualmente, Flávio, a esposa e as duas filhas podem permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, sob um status imigratório concedido por razões humanitárias. O senador ainda não definiu onde a família pretende se estabelecer, mas não descartou retornar ao Brasil para disputar uma próxima eleição. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente“, afirmou.

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