Nesta quinta-feira (5), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Azzardo. A ação investiga uma rede suspeita de explorar sites ilegais de apostas e lavar dinheiro. Segundo os investigadores, o grupo movimentou cerca de R$ 739 milhões em oito meses.
A operação ocorreu no Distrito Federal, em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Ao todo, os policiais cumpriram 52 mandados de busca e apreensão e apreenderam 35 celulares. Ninguém foi preso; agora, a polícia pretende aprofundar as investigações.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, os apostadores faziam pagamentos por Pix a empresas que, oficialmente, atuavam em outros setores. Por exemplo, em Sobradinho, no Distrito Federal, os investigadores identificaram uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô.
Segundo a polícia, dezenas de empresas de fachada recebiam os valores. Em seguida, concentravam o dinheiro e o distribuíam entre pessoas, empresas e instituições de pagamento. Além disso, parte dos recursos pode ter sido convertida em criptoativos.
Os sites investigados usavam domínios no exterior. Por isso, segundo os investigadores, as autoridades enfrentam mais dificuldades para tirar as plataformas do ar.
A apuração começou cerca de cinco meses antes da operação. Na ocasião, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda alertou sobre plataformas que funcionavam sem autorização federal. Já no Distrito Federal, os investigadores identificaram 30 empresas suspeitas de servir como fachada.
Justiça determinou bloqueios e restrições
Por decisão do Juízo das Garantias de Sobradinho, a Justiça determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas e 120 empresas. Com isso, o bloqueio pode chegar ao limite global de R$ 3,483 bilhões. Esse valor representa o teto autorizado para as medidas patrimoniais; não significa, porém, que a polícia já recuperou essa quantia.
Além dos bloqueios, a decisão suspendeu os registros de 100 empresas e empresários individuais. Também proibiu os investigados de abrir novas contas bancárias por 90 dias e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal.
Por fim, os investigados podem responder por crimes como exploração de loteria sem autorização, lavagem de dinheiro, estelionato mediante fraude eletrônica, falsidade ideológica e organização criminosa.
