O preço do café em pó caiu 16,5% no acumulado de 2026, enquanto as vendas de cafés premium cresceram 8,1% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2022. Os dados são da Associação Paulista de Supermercados (APAS) e mostram que, ao mesmo tempo em que o produto tradicional ficou mais barato, o consumidor passou a ampliar o espaço destinado a opções de maior valor agregado.
De acordo com o Índice de Preços de Supermercados (IPS), calculado pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o café em pó também acumula queda de 19,3% nos últimos 12 meses. O movimento ocorre em um cenário de melhora da oferta global e aumento da produção brasileira.
Ao mesmo tempo, a pesquisa de tendências e consumo da APAS aponta avanço na procura por cafés premium. Qualidade, origem, sabor, grãos selecionados, torras especiais e blends diferenciados passaram a ter maior peso em determinadas ocasiões de consumo.
Os números indicam que o consumidor não está necessariamente abandonando o café tradicional, mas diversificando suas escolhas de acordo com preço, ocasião e experiência.
“Os dados mostram que o consumidor não está necessariamente trocando um tipo de café pelo outro, mas ampliando suas possibilidades de consumo. Para o varejo, isso significa atender desde a compra recorrente, mais sensível ao preço, até a busca por produtos diferenciados, em que qualidade, origem e experiência têm maior peso na decisão. É um movimento que revela um consumidor mais atento e com diferentes motivações de compra dentro da mesma categoria”, disse Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, em declaração publicada no site oficial da Associação Paulista de Supermercados (APAS) em 1º de outubro de 2026.
O movimento ocorre em um mercado presente no cotidiano da maior parte da população. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) citados pela APAS, o café está presente em 98% dos lares brasileiros. Em 2025, foram consumidas 21,4 milhões de sacas no país.
Café tradicional fica mais barato
A redução dos preços dá continuidade a um movimento iniciado no segundo semestre de 2025. Em março de 2026, o café havia registrado queda de 1,54% no mês, segundo o IPS da APAS e da Fipe.
A entidade relacionou o recuo à melhora da oferta mundial, à expectativa de uma safra elevada no Brasil e aos resultados da produção internacional.
“O movimento reforça um cenário mais equilibrado para itens de consumo cotidiano. A continuidade dessa tendência pode contribuir para suavizar o impacto da inflação no carrinho de compras, especialmente em produtos amplamente consumidos pelos brasileiros”, contou Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, em declaração publicada no site oficial da Associação Paulista de Supermercados.
Para o varejo, o cenário cria dois movimentos simultâneos: de um lado, o consumidor continua atento ao preço do café comprado para o dia a dia; de outro, produtos premium ganham espaço quando qualidade, origem e experiência entram na decisão de compra.
