O senador Rogério Marinho (PL-RN) foi lançado nesta quarta-feira (4) como candidato do Partido Liberal à presidência do Senado Federal. A escolha coloca o líder da oposição na disputa pelo comando da Casa, cuja eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
A candidatura conta com o apoio da bancada do PL e também do Novo. Marinho trabalha para ampliar sua base de sustentação e afirma ter condições de reunir mais de 40 votos – número superior aos 41 necessários para vencer a eleição, caso todos os 81 senadores participem da votação.
A movimentação ocorre em meio à tentativa de reeleição do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e à pré-candidatura da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Os dois nomes representam obstáculos à construção de uma candidatura única da oposição.
Disputa depende de articulação entre adversários de Alcolumbre
Marinho e Tereza Cristina mantêm conversas sobre a eleição e afirmam ter um entendimento para evitar que os dois disputem diretamente os mesmos votos. A possibilidade discutida é que um deles abra mão da candidatura em janeiro, permitindo a concentração do apoio oposicionista em torno de um único nome.
Apesar das tratativas, a senadora não retirou sua intenção de concorrer. Tereza busca ampliar o apoio de parlamentares de diferentes partidos e também tem defendido a possibilidade de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.
O desafio de Marinho será transformar o apoio anunciado em votos efetivos. Além do PL e do Novo, o senador tenta atrair integrantes de outras legendas, inclusive de partidos que já manifestaram apoio à recondução de Alcolumbre.
A votação é secreta, o que torna incerta a contagem antecipada de votos. Marinho já defendeu que parlamentares de direita tornem público o voto, como forma de demonstrar compromisso com a candidatura oposicionista.
Alcolumbre busca apoio de governo e oposição
Atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre pretende permanecer no cargo e trabalha para manter uma aliança ampla. A federação formada por União Brasil e PP declarou apoio à sua reeleição, embora a posição tenha provocado divergências entre integrantes das duas siglas.
Alcolumbre também procura preservar o diálogo com partidos do centrão e com parlamentares governistas. A capacidade de articulação do atual presidente é considerada um dos principais fatores da disputa, especialmente diante do caráter secreto da votação.
A oposição, por sua vez, critica a atuação de Alcolumbre em temas de interesse da direita, sobretudo a condução de pautas relacionadas à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Marinho defende uma atuação mais independente do Senado em relação aos demais Poderes e representa uma candidatura alinhada às principais bandeiras da oposição bolsonarista.
PL pretende ampliar influência no Congresso
A disputa pelo Senado faz parte de uma estratégia mais ampla do PL para ampliar sua influência no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. A legenda terá uma das maiores bancadas da Casa e pretende usar esse peso nas negociações pela composição da Mesa Diretora e pelo comando de comissões.
A situação na Câmara dos Deputados, entretanto, ainda não foi definida. O partido avalia se apoiará a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) ou se apresentará um candidato próprio. Uma nova reunião com a bancada está prevista para 11 de novembro.
A eleição para a presidência do Senado ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027. Até lá, a definição sobre uma possível desistência de Tereza Cristina e a capacidade de Marinho de conquistar votos fora do PL serão decisivas para o cenário da disputa.
