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Campanha de Paes aciona Justiça Eleitoral e questiona vitória de Douglas Ruas no Rio

Eduardo Paes e Douglas Ruas (Fotos: Reprodução/X oficiais dos dois políticos)

Representação apresentada ao TRE-RJ aponta suposta distribuição de propaganda enganosa, coação de eleitores e pagamentos em troca de votos; campanha também pede cassação do governador eleito e inelegibilidade por oito anos

Fotos: Reprodução/X oficiais dos dois políticos

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo na Justiça Eleitoral nesta quarta-feira. A campanha de Eduardo Paes (PSD) apresentou uma ação contra Douglas Ruas (PL), eleito governador no primeiro turno, e a Coligação Rio Real. A representação reúne suspeitas de compra de votos, coação de eleitores, abuso de poder econômico e irregularidades na propaganda eleitoral.

O pedido inclui a abertura de investigação e, caso as acusações sejam comprovadas, a cassação do registro ou do diploma de Ruas, além da declaração de inelegibilidade por oito anos. O documento reúne registros policiais, materiais de campanha, reportagens e publicações em redes sociais.

Entre os pontos centrais da denúncia estão a distribuição de panfletos com informações que a campanha de Paes considera falsas, a circulação de santinhos com números trocados e relatos de pagamentos a eleitores.

Campanha questiona materiais distribuídos durante a eleição

Um dos materiais contestados pela equipe de Paes tinha o título “Douglas Ruas – Evangélico”. Segundo a representação, foram produzidos 100 mil exemplares com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Os panfletos atribuíam a Eduardo Paes posições favoráveis ao aborto, à liberação de drogas e à adoção de banheiros unissex. Os advogados do candidato do PSD afirmam que as informações eram falsas e que a peça teria sido elaborada para influenciar o eleitorado religioso.

Outro impresso questionado foi o chamado “Rio Escolhe”, que associava visualmente Paes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacava o número 13. A campanha argumenta que a estratégia poderia confundir eleitores, já que o número de Paes na disputa pelo governo estadual era 55.

A petição também menciona santinhos que exibiam o nome e a fotografia de Eduardo Paes acompanhados do número 22, utilizado por Douglas Ruas. De acordo com os autores da ação, parte desses materiais não apresentava identificação do contratante nem da gráfica responsável pela produção.

Mais de 204 mil votos anulados entram na representação

A campanha de Paes chama atenção para o registro de 204.309 votos anulados para governador após eleitores digitarem o número 13 nas urnas eletrônicas.

Douglas Ruas venceu o primeiro turno com 4.271.199 votos, equivalentes a 50,88% dos válidos. Paes recebeu 3.706.984 votos, ou 44,16%.

Os advogados do PSD sustentam que, se os votos anulados com o número 13 tivessem sido destinados a Paes, Ruas não teria alcançado a maioria absoluta necessária para encerrar a disputa no primeiro turno.

Essa relação, entretanto, ainda precisa ser demonstrada no processo. O total de votos anulados não comprova, por si só, que os eleitores tenham sido induzidos a escolher o número incorreto em razão dos materiais questionados.

Apreensões e relatos de pagamentos por votos

A representação também reúne episódios envolvendo dinheiro e materiais de campanha em municípios fluminenses.

Em Niterói, a ação menciona a apreensão de R$ 600 mil em espécie e planilhas em um episódio envolvendo Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL). A campanha de Paes pede que sejam investigadas a origem e a destinação dos recursos.

Outro caso citado ocorreu em Teresópolis, onde foram encontrados materiais de campanha de Douglas Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em dinheiro dentro de um veículo no dia da votação.

A petição ainda reúne relatos publicados em plataformas como X, Instagram, Threads, Facebook e Reddit sobre supostas ofertas de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos. A campanha solicita que as empresas responsáveis pelas redes sociais forneçam informações sobre mais de 60 perfis mencionados no documento, para que os responsáveis pelas publicações possam ser identificados e eventualmente ouvidos.

Os episódios apresentados são elementos de uma denúncia e dependem de apuração para que se determine se houve efetivamente compra de votos ou participação de integrantes da campanha de Ruas.

Justiça também é acionada para reunir provas

Além dos pedidos de cassação e inelegibilidade, a equipe jurídica de Paes solicita o compartilhamento de procedimentos e investigações relacionados aos fatos relatados. Entre os órgãos mencionados estão a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Ministério Público Eleitoral.

A representação busca reunir elementos que permitam esclarecer as circunstâncias das denúncias e eventual responsabilidade dos envolvidos.

Até o momento, Douglas Ruas permanece como governador eleito, e as acusações apresentadas pela campanha adversária ainda precisam ser analisadas pelo TRE-RJ.

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