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Servidor vaza dados do Smart Sampa; prefeitura investiga caso

Central de monitoramento do Programa Smart Sampa (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Dados do Smart Sampa ficaram expostos por 11 meses, segundo o UOL. Prefeitura nega falha de segurança e afasta servidor investigado.

Central de monitoramento do Programa Smart Sampa (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Um vazamento de dados do Smart Sampa expôs informações sigilosas do sistema de monitoramento por câmeras de São Paulo durante cerca de 11 meses, segundo reportagem publicada pelo UOL nesta terça-feira (20). A Prefeitura de São Paulo confirmou que um servidor municipal foi identificado e afastado, mas negou que o episódio tenha ocorrido por uma falha de segurança da plataforma.

De acordo com o UOL, o material disponibilizado na internet permitia o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas ao programa. Os equipamentos estão instalados em diferentes espaços, incluindo ruas, escolas, creches e hospitais da capital paulista.

A reportagem também apontou a presença de 181 logins e senhas de usuários autorizados, dados de mais de seis mil agentes de segurança e instruções para reproduzir o sistema em computadores ou celulares. A prefeitura, por sua vez, afirmou que o repositório não continha senhas de acesso e que o conteúdo foi retirado do ar pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana.

Em nota, a administração municipal classificou o episódio como um ato criminoso cometido por um dos mais de 7.500 agentes de segurança vinculados ao programa. O funcionário é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM). A prefeitura também negou que tenha ocorrido uso indevido da plataforma.

Prefeitura cita medidas de segurança e fiscalização

A gestão municipal informou que o Smart Sampa é fiscalizado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e conta com consultoria especializada em governança e privacidade de dados. As obrigações contratuais incluem auditorias periódicas, testes de segurança, monitoramento, relatórios técnicos e correção de possíveis vulnerabilidades.

A Coordenadoria de Tecnologia, Integração e Segurança (CTIS), vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Urbana, é responsável pela supervisão da plataforma. A prefeitura acrescentou que as câmeras instaladas em equipamentos públicos monitoram áreas de circulação comum, sem abranger consultórios, salas de atendimento ou ambientes assistenciais. Segundo a administração, captar uma imagem não significa cadastrar ou identificar automaticamente a pessoa filmada.

Até terça-feira (20), o painel público do programa contabilizava 3.629 foragidos capturados e 285 pessoas desaparecidas localizadas com auxílio das câmeras. Os dados também indicavam 1.044 presos em 2026, dos quais 33 em outubro, além de 6.850 prisões em flagrante e 3.904 ocorrências relacionadas a veículos.

Estudo questiona impacto do programa na criminalidade

Publicado em 2025 pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), o estudo “Smart Sampa vigia, mas não protege” analisou os efeitos do programa sobre indicadores criminais e de produtividade policial. Os pesquisadores Bruno Pantaleão e Pablo Nunes compararam dados da capital paulista com os de outros municípios do estado, considerando taxas de furtos, roubos e homicídios, além de prisões em flagrante e por mandados judiciais.

A pesquisa não encontrou efeitos estatisticamente significativos do Smart Sampa sobre os indicadores avaliados. Os autores ressaltaram, contudo, que a análise não mediu outros possíveis impactos, como o apoio às investigações ou mudanças na sensação de segurança. O levantamento também apontou preocupações com erros de reconhecimento facial e bases de dados desatualizadas, fatores que podem contribuir para abordagens indevidas. O vazamento amplia o debate sobre a proteção das informações coletadas pelo sistema e o uso de câmeras e reconhecimento facial na segurança pública.

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