Inteligência Artificial

Trabalhadores demitidos por inteligência artificial enfrentam dificuldades maiores para conseguir novo emprego

Perda de emprego por IA (Foto: Gerada com auxílio de IA)

Estudo do Goldman Sachs aponta que profissionais afetados pela automação levam cerca de um mês a mais para se recolocar; após um ano, risco de permanecerem desempregados é 10 pontos percentuais maior

Foto: Gerada com auxílio de IA

A expansão da inteligência artificial começa a produzir efeitos que vão além da substituição de tarefas nas empresas. Trabalhadores que perdem seus empregos em decorrência de mudanças tecnológicas enfrentam uma recuperação profissional mais lenta, com maior dificuldade para encontrar uma nova vaga e permanecer empregados.

Uma análise do Goldman Sachs, divulgada pelo Business Insider, indica que esses profissionais levam aproximadamente um mês a mais para conseguir outro emprego, na comparação com trabalhadores dispensados por outros motivos.

O levantamento também identificou uma diferença importante no desemprego de longo prazo: depois de 12 meses, a probabilidade de os profissionais afetados pela tecnologia continuarem sem trabalho é cerca de 10 pontos percentuais superior à dos demais trabalhadores demitidos.

Profissionais mais velhos enfrentam transição mais longa

A idade aparece como um fator relevante no processo de recolocação. Segundo Pierfrancesco Mei, economista do Goldman Sachs nos Estados Unidos, trabalhadores mais velhos demoram aproximadamente cinco semanas adicionais para conseguir retornar a uma ocupação em período integral.

Entre os profissionais mais jovens, o período adicional é de cerca de três semanas.

A análise indica que a substituição tecnológica pode exigir mudanças mais profundas na trajetória profissional de quem perde o emprego. Muitos trabalhadores deixam não apenas a empresa anterior, mas também a ocupação e o setor em que atuavam.

Mesmo depois de conseguir uma nova oportunidade, parte deles acaba em funções que apresentam exposição semelhante ou até maior à inteligência artificial.

Pesquisa analisou mais de 15 mil trabalhadores

Para elaborar o estudo, os economistas examinaram informações de mais de 15 mil pessoas demitidas entre 2016 e 2025.

Os pesquisadores consideram que os registros referentes ao período de 2023 a 2025 provavelmente já incluem a primeira onda de trabalhadores que perderam seus postos em decorrência da inteligência artificial.

O levantamento busca compreender como as mudanças tecnológicas afetam a capacidade de encontrar emprego e a transição entre diferentes ocupações.

A análise não se limita, portanto, às demissões explicitamente atribuídas à IA: também considera deslocamentos profissionais provocados por transformações tecnológicas anteriores.

Goldman Sachs eleva projeção de empregos afetados pela IA

O banco estima que aproximadamente 9% dos trabalhadores poderão ser deslocados pela inteligência artificial nos próximos anos.

A projeção representa uma revisão em relação à estimativa anterior, que apontava uma faixa entre 6% e 7%.

A mudança reflete a preocupação com a velocidade de adoção de ferramentas capazes de automatizar atividades realizadas por profissionais de diferentes áreas.

O impacto potencial não está restrito a funções operacionais. Atividades administrativas, técnicas e intelectuais também podem passar por transformações à medida que empresas incorporam sistemas automatizados aos processos de trabalho.

Estudantes começam a rever escolhas profissionais

A expectativa de mudanças no mercado de trabalho também influencia as decisões de estudantes universitários.

Segundo a análise do Goldman Sachs, há uma tendência de maior procura por formações em áreas como saúde e engenharia, consideradas menos expostas à automação em comparação com determinadas atividades ligadas à computação.

A ciência da computação, que anteriormente era vista por muitos estudantes como uma opção profissional de maior estabilidade, começa a dividir espaço com outras áreas.

O movimento demonstra como a expansão da inteligência artificial pode influenciar não apenas os trabalhadores que já estão no mercado, mas também as escolhas de formação das próximas gerações.

Recolocação profissional se torna um desafio estrutural

Os resultados indicam que o impacto da automação não termina necessariamente quando uma empresa substitui funcionários por sistemas de inteligência artificial.

A dificuldade de encontrar outra vaga, a necessidade de mudar de profissão e a possibilidade de retornar a atividades igualmente expostas à tecnologia podem prolongar os efeitos da demissão.

Para o Goldman Sachs, o avanço da IA exige atenção não apenas aos ganhos de produtividade das empresas, mas também às consequências para os profissionais que precisam reconstruir suas trajetórias no mercado de trabalho.

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