Os gastos com alimentação e supermercado estão entre as despesas que mais comprometem o orçamento de 59% dos brasileiros, segundo pesquisa da Serasa realizada em parceria com o Instituto Opinion Box. O levantamento também revela que 41% dos entrevistados enfrentam maiores dificuldades financeiras durante a terceira e a quarta semanas do mês, período em que o dinheiro disponível já não é suficiente para manter todas as despesas com tranquilidade.
Além da alimentação, os custos com moradia, incluindo aluguel e financiamento, foram mencionados por 40% dos participantes. As contas domésticas, como água e energia elétrica, aparecem na sequência, com 32%.
A pesquisa, realizada entre 29 de setembro e 5 de outubro de 2026, ouviu 1.008 pessoas pela internet em todo o território nacional.
Dinheiro acaba antes do fim do mês
A dificuldade para equilibrar as despesas não se limita aos últimos dias do mês. Segundo o levantamento, 13% dos entrevistados afirmam enfrentar problemas financeiros durante todo o período.
Outros 28% relatam precisar fazer ajustes no orçamento, cortar despesas, adiar pagamentos ou lidar com compromissos que não conseguem quitar dentro do próprio mês.
Para Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, o problema envolve não apenas a organização dos pagamentos, mas também o peso das despesas essenciais sobre a renda disponível.
“Fazer o dinheiro durar até o fim do mês exige olhar tanto para o valor das despesas quanto para as datas em que precisam ser pagas”, explica.
A especialista ressalta que, quando alimentação, moradia e contas domésticas consomem grande parte dos rendimentos, as possibilidades de reorganização financeira ficam mais limitadas.
Brasileiros cortam gastos e buscam renda extra
Diante da possibilidade de o dinheiro não ser suficiente até o próximo pagamento, os consumidores adotam diferentes estratégias para manter as contas em dia.
Segundo a pesquisa, 29% reduzem despesas consideradas não essenciais, enquanto 22% procuram fontes adicionais de renda.
As mudanças também aparecem nos hábitos cotidianos. Entre os entrevistados, 36% afirmaram ter deixado de sair de casa para economizar, enquanto 21% realizaram trabalhos extras ou os chamados “bicos”, que normalmente não fariam.
O cartão de crédito também aparece como alternativa em momentos de dificuldade. Nos últimos 12 meses, 28% dos participantes recorreram a esse meio de pagamento para cobrir despesas quando não tinham dinheiro suficiente.
Entretanto, a própria fatura do cartão lidera a relação de compromissos que deixaram de ser pagos por falta de recursos, sendo mencionada por 25% dos entrevistados.
“O limite do cartão não deve ser tratado como uma extensão da renda. Antes de utilizá-lo para cobrir uma despesa, é importante verificar como a fatura será paga e quanto das próximas receitas já está comprometido com parcelas”, alerta Aline Vieira.
Planejamento financeiro não impede dificuldades
Apesar das limitações orçamentárias, a pesquisa indica que o planejamento financeiro já faz parte da rotina de grande parcela dos consumidores.
Ao todo, 75% dos entrevistados afirmam organizar frequentemente os gastos antes do início do mês. Para isso, 46% utilizam cadernos e anotações, enquanto 21% recorrem a planilhas.
Os resultados mostram, contudo, que planejar as despesas não significa necessariamente conseguir manter o orçamento equilibrado.
O peso dos gastos essenciais, a ocorrência de imprevistos e a renda disponível continuam sendo fatores que influenciam a capacidade de pagamento das famílias.
Segundo a especialista da Serasa, acompanhar a movimentação financeira durante todo o mês pode ajudar a identificar antecipadamente possíveis dificuldades.
“O planejamento precisa continuar ao longo do mês. Registrar os gastos, acompanhar o saldo disponível e revisar as próximas contas ajuda a perceber o aperto antes das semanas finais”, orienta.
Sobre a pesquisa
O levantamento foi realizado pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, entre os dias 29 de setembro e 5 de outubro de 2026.
Foram realizadas 1.008 entrevistas online em todo o Brasil, com margem de erro informada de 3,1 pontos percentuais.
Os resultados retratam as respostas dos participantes sobre seus hábitos financeiros, despesas e estratégias para lidar com as dificuldades orçamentárias.
