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Helicóptero que caiu com Rick tinha falhas recorrentes, aponta Cenipa

Cantor Rick. Foto: Reprodução/Instagram

Relatório do Cenipa aponta histórico de falhas no helicóptero que caiu com Rick e revela que a caixa-preta não gravou o voo do acidente

Foto: Reprodução/Instagram

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) trouxe novos detalhes sobre a queda do helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas em Urubici, na Serra de Santa Catarina. O acidente aconteceu em 21 de setembro, durante um voo entre Porto Belo e São Joaquim.

O documento relata um histórico de falhas elétricas nos geradores da aeronave e menciona problemas anteriores envolvendo o piloto automático. Além disso, a investigação identificou condições meteorológicas adversas na região, com chuva, nuvens baixas e visibilidade reduzida.

Outro ponto chamou atenção dos investigadores. O gravador de voz da cabine, conhecido como caixa-preta, foi recuperado, mas não continha registros do voo que terminou no acidente. Os áudios encontrados eram de uma manutenção realizada anteriormente.

Apesar dos novos elementos, o Cenipa não estabeleceu a causa da queda. O relatório é preliminar e reúne informações que ainda serão analisadas ao longo da investigação.

Helicóptero tinha histórico de falhas nos geradores

Segundo o relatório, um mecânico relatou que o helicóptero apresentava falhas intermitentes nos geradores, responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica para diferentes sistemas da aeronave. A equipe chegou a realizar intervenções de manutenção, e o funcionamento melhorou temporariamente.

No entanto, as falhas voltaram a aparecer posteriormente e passaram a atingir os dois geradores em momentos diferentes. Diante da recorrência, o mecânico recomendou que a aeronave retornasse à oficina para uma nova investigação. Esse procedimento, porém, ainda não havia sido realizado quando ocorreu o acidente.

Alguns episódios foram relatados durante voos em condições de chuva ou dentro de nuvens. Mesmo assim, o profissional afirmou que não conseguiu estabelecer relação direta entre a presença de umidade e os problemas elétricos.

Piloto automático também havia apresentado problemas

O relatório reúne ainda informações sobre desconexões anteriores do piloto automático. Nas situações relatadas, os pilotos conseguiram manter o controle manual da aeronave. Registros de manutenção mostram que uma peça ligada ao sistema havia sido substituída em março. Depois da troca, não houve novos relatos da mesma anormalidade, segundo os dados reunidos pelos investigadores.

A aeronave também havia registrado uma vibração considerada anormal meses antes do acidente. Na ocasião, o problema levou a um pouso e posteriormente motivou serviços de manutenção. Esses registros fazem parte da análise técnica, mas não significam que alguma dessas falhas tenha provocado a queda. O Cenipa ainda avalia se elas tiveram qualquer participação no acidente.

Caixa-preta não registrou conversas do voo

O Bell 430 possuía um gravador de voz de cabine com capacidade para armazenar aproximadamente 30 minutos de áudio. O equipamento não era obrigatório para aquele tipo de operação, mas estava instalado na aeronave. Após recuperar o dispositivo, os investigadores conseguiram acessar os arquivos. O conteúdo, porém, não correspondia ao voo de 21 de setembro.

Os áudios registravam conversas relacionadas a uma intervenção de manutenção feita em uma data ainda não determinada. Assim, a investigação ficou sem o registro das conversas dos pilotos durante os momentos que antecederam o acidente.

O manual do equipamento previa um teste antes do primeiro voo do dia. Entretanto, segundo o relatório, esse procedimento não aparecia na lista de verificações encontrada junto à aeronave.

Mau tempo também está entre os pontos analisados

As condições meteorológicas na Serra catarinense também integram a investigação. As previsões para o período indicavam chuva moderada, trovoadas, nuvens baixas e redução da visibilidade. Havia ainda possibilidade de montanhas ficarem encobertas por nuvens na Serra Geral. Esse cenário representa um fator relevante para voos em áreas montanhosas, especialmente quando a visibilidade fica comprometida.

Imagens de câmeras próximas ao local mostram uma redução significativa da visibilidade. Além disso, um morador gravou um vídeo de cerca de 18 segundos mostrando o helicóptero seguindo em direção à área onde os destroços seriam encontrados. Nas últimas imagens, a aeronave aparece entrando em uma região de nebulosidade e deixa de ser vista.

Helicóptero atingiu encosta a mais de 1,6 mil metros

Os investigadores identificaram o ponto de impacto no Morro Convento dos Padres, na Serra da Boa Vista. O local fica a aproximadamente 1.686 metros de altitude.

Registros de radar mostram que, pouco antes da queda, o helicóptero havia alcançado aproximadamente 1.646 metros. Esses dados, no entanto, foram obtidos em momentos distintos e não permitem reconstruir sozinhos toda a trajetória final da aeronave.

O Cenipa classificou a ocorrência como um voo controlado contra o terreno, expressão usada quando uma aeronave ainda sob controle atinge o solo, uma montanha ou outro obstáculo.

Essa classificação descreve o tipo de acidente, mas não determina automaticamente por que ele aconteceu.

Sinal de emergência não chegou ao sistema de busca

Outro equipamento analisado foi o transmissor localizador de emergência. O dispositivo emitia um sinal sonoro entre os destroços quando as equipes chegaram ao local.

Apesar disso, o sistema de busca aeronáutica não havia detectado o sinal de emergência transmitido pelo aparelho. O equipamento foi recolhido para exames que poderão esclarecer por que o alerta não chegou às centrais responsáveis.

A ausência desse sinal também passou a integrar a investigação. No entanto, assim como nos demais pontos levantados, ainda não há conclusão sobre eventual impacto desse problema na operação de resgate.

Aeronave tinha documentação regular

O helicóptero Bell 430, de matrícula PP-MGR, estava com o certificado de aeronavegabilidade válido no momento do acidente. Os registros de manutenção também estavam atualizados. Os motores haviam passado por uma inspeção de 150 horas em agosto, cerca de um mês antes da queda. A empresa proprietária da aeronave destacou esses pontos ao comentar o relatório preliminar.

A companhia também ressaltou que o documento não estabelece uma relação entre as falhas registradas anteriormente, as condições meteorológicas e a causa da queda. O Cenipa continua examinando motores, sistemas e outros componentes recuperados no local.

Cinco pessoas morreram no acidente

O helicóptero havia decolado de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, e seguia para São Joaquim. A aeronave desapareceu durante o trajeto e foi localizada posteriormente em uma área de difícil acesso em Urubici.

Além de Rick, estavam a bordo dois pilotos e outros dois passageiros. Nenhuma das cinco pessoas sobreviveu. As equipes precisaram enfrentar terreno montanhoso e condições difíceis para chegar aos destroços. Partes da aeronave e equipamentos foram então recolhidos para análise.

Investigação ainda não aponta causa da queda

O relatório divulgado pelo Cenipa é apenas uma etapa da investigação. O documento não atribui responsabilidades e também não apresenta uma causa definitiva para o acidente. Os investigadores continuam analisando os problemas elétricos relatados, as condições meteorológicas, os sistemas da aeronave, os motores e os demais elementos encontrados no local.

Por isso, não é possível afirmar neste momento que as falhas nos geradores ou o mau tempo provocaram a queda. Esses fatores aparecem entre os pontos examinados, mas ainda precisam ser avaliados em conjunto. O relatório final deverá apresentar uma análise mais completa sobre os fatores que contribuíram para o acidente.

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