Saúde

Sarcopenia também exige atenção de praticantes de atividades: resistência física não garante manutenção da força

Foto: Divulgação

Pesquisas analisam diferenças musculares entre atletas e reforçam a importância de exercícios resistidos durante o envelhecimento.

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Manter uma rotina intensa de exercícios não significa estar imune às mudanças musculares relacionadas à idade. Embora corredores, ciclistas e nadadores desenvolvam capacidades físicas importantes, a preservação da força pode exigir estímulos diferentes daqueles produzidos pelo treinamento aeróbico. O tema faz parte das discussões sobre sarcopenia, condição relacionada à redução progressiva da força muscular e às alterações na massa ou qualidade dos músculos.

A preocupação não se restringe a pessoas sedentárias. Atletas veteranos também envelhecem e precisam adequar seus programas de treinamento às mudanças fisiológicas que ocorrem ao longo da vida.

Um estudo de 2023 comparou a composição corporal de esportistas jovens e veteranos de modalidades de força, velocidade e resistência. Entre os mais velhos, os atletas de força apresentaram maior índice de massa magra nos membros do que os participantes de modalidades de resistência.

O resultado reforça que diferentes práticas esportivas estimulam o organismo de maneiras distintas.

Por que o treinamento resistido importa

Segundo o médico Álvaro Pereira, angiologista e especialista em fotobiomodulação, a capacidade cardiovascular não deve ser utilizada como único indicador de condição física.

“Uma pessoa pode correr longas distâncias, pedalar durante horas e apresentar excelente resistência física, mas isso não significa que esteja preservando toda a sua força muscular. Com o envelhecimento, é fundamental combinar os exercícios aeróbicos com atividades de fortalecimento, especialmente a musculação”, explica.

O treinamento resistido pode utilizar pesos livres, máquinas, faixas elásticas e exercícios com o próprio peso corporal.

A escolha depende das condições individuais, da experiência do praticante e da finalidade do programa. Para atletas de resistência, o fortalecimento deve ser planejado de maneira compatível com as sessões de corrida, ciclismo ou natação.

Pesquisa com ciclistas examina dificuldades

Outro estudo, publicado em 2024, avaliou 555 ciclistas homens acima dos 35 anos. A pesquisa mostrou que a prática de musculação era mais frequente fora da temporada competitiva e diminuía durante o período de provas.

Entre os obstáculos estavam o cansaço provocado pelo treino de força e a dificuldade de encontrar tempo para incluí-lo na rotina.

A investigação também mostrou preocupação dos participantes com o desempenho e a saúde óssea, especialmente no grupo com 50 anos ou mais.

Tratamentos complementares têm papel limitado

A fotobiomodulação, realizada com fontes luminosas em protocolos específicos, vem sendo estudada em situações de recuperação e reabilitação. Entretanto, não há fundamento para apresentá-la como substituta comprovada do exercício resistido na prevenção da sarcopenia.

“É importante entender que nenhum recurso complementar substitui o treinamento de força. A fotobiomodulação pode integrar estratégias de recuperação e reabilitação, especialmente quando existem limitações físicas, mas preservar os músculos exige um conjunto de cuidados. Para quem pratica esportes, o fortalecimento muscular também é fundamental para manter o desempenho e a funcionalidade com o passar dos anos”, conclui o especialista.

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde indicam exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias semanais para adultos, associados à prática regular de atividade aeróbica.

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