Os eleitores de Israel vão às urnas nesta terça-feira (27) para escolher os integrantes do Parlamento em uma eleição marcada pela polarização política e por um número significativo de indecisos. Cerca de 10% do eleitorado ainda não havia definido o voto, segundo levantamentos citados pelo UOL, em uma disputa que pode determinar a permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder.
A votação é a primeira eleição nacional desde o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza e ampliou os conflitos regionais. Segurança, custo de vida, serviço militar e a condução da guerra estão entre os temas centrais da campanha.
As pesquisas apontam equilíbrio entre o bloco liderado por Netanyahu, do Likud, e a oposição associada ao ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, do partido Yashar. Os levantamentos indicam que nenhum dos dois campos tem, isoladamente, uma maioria parlamentar garantida.
Sistema eleitoral exige acordos entre partidos
Diferentemente de eleições presidenciais em que o eleitor escolhe diretamente um candidato, os israelenses votam em listas partidárias. As 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento do país, são distribuídas proporcionalmente aos votos recebidos pelas legendas que ultrapassam a cláusula de barreira de 3,25%.
Para formar um governo, é necessário reunir o apoio de pelo menos 61 parlamentares. Por isso, mesmo o partido mais votado pode precisar negociar com outras legendas para garantir uma coalizão capaz de governar.
A fragmentação partidária torna o resultado especialmente incerto. A quantidade de partidos que superar a cláusula de barreira e a distribuição das cadeiras entre as listas podem influenciar as negociações posteriores à votação.
Em 2022, a coalizão liderada por Netanyahu conquistou 64 das 120 cadeiras. Desta vez, os levantamentos divulgados antes da eleição não apontam uma maioria assegurada para nenhum dos dois principais blocos.
Gadi Eisenkot lidera principal frente de oposição
O ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, de 66 anos, é apontado como um dos principais adversários de Netanyahu. Ele entrou na política em 2022 e criou o partido Yashar em 2025.
Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado durante o governo Netanyahu, mas deixou o grupo em junho de 2024, após divergências sobre a condução do conflito e a falta de uma estratégia clara para o período posterior à guerra.
O candidato também foi pessoalmente atingido pelo conflito: seu filho Gal, de 25 anos, e dois sobrinhos morreram durante a guerra. A experiência militar e a cobrança por responsabilidades em relação aos ataques de 7 de outubro fazem parte de sua trajetória pública.
Entre suas propostas está a criação de uma comissão estatal de investigação sobre as falhas de segurança que antecederam o ataque do Hamas. Netanyahu tem resistido à abertura desse tipo de investigação desde o início da guerra.
Indecisos e partidos menores podem influenciar o resultado
A parcela de eleitores que ainda não havia decidido o voto é considerada relevante em uma eleição na qual a composição final do Parlamento pode depender de poucas cadeiras. O desempenho de partidos menores também é acompanhado de perto, já que as legendas que não alcançam 3,25% dos votos ficam sem representação parlamentar.
Outro fator é a participação dos cidadãos árabes de Israel, que representam cerca de 20% da população do país e têm direito ao voto. As listas árabes podem conquistar cadeiras suficientes para influenciar as negociações políticas, embora sua participação em uma coalizão dependa de acordos com outros partidos.
A possibilidade de uma aliança entre legendas ideologicamente distintas amplia a complexidade da formação do próximo governo. Mesmo após a divulgação dos resultados, as negociações podem se estender por semanas.
Segurança e guerra dominam a campanha
O pleito ocorre depois de anos de confrontos envolvendo Gaza, o Líbano e o Irã. A segurança nacional é uma das principais preocupações dos eleitores, ao lado da economia, do custo de vida e das regras de alistamento militar para integrantes da comunidade judaica ultraortodoxa.
A campanha também foi marcada pelo debate sobre a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada e pela relação com os Estados Unidos. O presidente norte-americano Donald Trump manifestou apoio a Netanyahu, mas as pesquisas divulgadas antes da votação não indicavam que esse apoio tivesse alterado decisivamente o equilíbrio entre os blocos.
A eleição não define diretamente o primeiro-ministro. Após a apuração, o presidente israelense, Isaac Herzog, deverá consultar os partidos e encarregar um parlamentar de tentar formar um governo. O escolhido precisará construir uma coalizão com apoio parlamentar suficiente.
Até que um novo governo seja formado e obtenha a confiança do Parlamento, a administração atual permanece no exercício das funções.
