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Cerca de 4 em cada 10 cães e gatos adultos estão acima do peso, aponta levantamento

Cão (Foto: Divulgação)

Pesquisa com mais de 14 mil tutores em oito países reforça alerta sobre obesidade animal.

Foto: Divulgação

A obesidade em cães e gatos avança como um dos principais problemas de saúde dos animais de companhia. Um levantamento realizado em 2025 pelo instituto Censuswide apontou que 40% dos cães e gatos adultos estão acima do peso. A pesquisa ouviu 14.016 tutores e 1.750 veterinários e especialistas em nutrição de oito países, incluindo o Brasil.

No recorte brasileiro, participaram 2.000 tutores e 250 veterinários. Entre os entrevistados, 48,6% disseram já ter oferecido comida humana aos animais além da ração, comportamento que pode contribuir para o excesso de peso quando aumenta a ingestão calórica diária.

Segundo a professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Rio Verde (UniRV), Chayanne Silva Ferreira, o hábito de oferecer petiscos merece atenção.

“Você tem o costume de oferecer petisco pro seu animal? Esse comportamento pode estar interferindo para um ganho de peso além do normal”, afirma. A professora destaca que a prática é frequente no Brasil, “onde as pessoas oferecem esses petiscos como uma forma de amor”.

A obesidade deixou de ser uma preocupação restrita aos seres humanos e também passou a ocupar espaço nos consultórios veterinários. Estimativas divulgadas por conselhos de Medicina Veterinária apontam que cerca de 30% dos cães e 25% dos gatos podem apresentar obesidade, proporção próxima de três em cada dez animais de estimação.

Em São Paulo (SP), um estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP) identificou excesso de peso em 40,5% dos cães domésticos avaliados, sendo 14,6% já classificados como obesos.

O problema não é apenas estético. O excesso de gordura corporal está relacionado a alterações articulares, cardíacas e respiratórias, além de diabetes, hipertensão e maior risco durante procedimentos anestésicos e cirúrgicos. Pesquisas veterinárias também relacionam a obesidade à redução da qualidade de vida e da longevidade de cães e gatos.

A alimentação aparece entre os principais fatores envolvidos, mas não necessariamente porque o animal recebe produtos de baixa qualidade. A quantidade oferecida pode ser determinante.

“No fundo é uma questão de quantidade. Mesmo que o alimento seja de boa qualidade, o consumo em excesso, levando em consideração a necessidade individual de cada pet, pode levar ao sobrepeso ou à obesidade”, afirma Sibele Konno, presidente da Comissão Técnica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

Balança sozinha não revela o problema

Identificar se um cão ou gato está acima do peso exige mais do que acompanhar o número mostrado pela balança.

“Somente o peso na balança não é suficiente, a gente precisa do escore de condição corporal. O acúmulo de gordura em determinadas regiões pode indicar um ganho de peso acima do normal, como por exemplo, o espaço entre as costelas, a curvatura da cintura e a curvatura abdominal. Esses acúmulos indicam que o animal está acima do peso”, explica Chayanne Silva Ferreira.

O chamado Escore de Condição Corporal permite ao médico-veterinário avaliar a distribuição de gordura no animal por meio da observação e da palpação.

Costelas difíceis de perceber, perda da cintura quando o animal é observado de cima e aumento do volume abdominal estão entre os sinais que podem indicar excesso de gordura.

Obesidade aumenta risco de outras doenças

A preocupação vai além da aparência do animal.

“A obesidade é quando o animal está acima de 35% do peso ideal, e essa condição pode influenciar em fatores agravantes de outras doenças, como doenças cardiorrespiratórias, locomotoras, osteoarticulares, endócrinas e até oncológicas. A obesidade influencia na perda de longevidade desses animais”, afirma a professora da UniRV.

O excesso de peso também pode diminuir a disposição para exercícios e brincadeiras e aumentar a sobrecarga sobre articulações e sistema cardiovascular.

Idade, genética, castração, alterações hormonais, alimentação excessiva e sedentarismo estão entre os fatores relacionados ao ganho de peso.

A perda de peso deve ser acompanhada por um médico-veterinário, já que simplesmente reduzir drasticamente a quantidade de alimento pode provocar outros problemas nutricionais.

O planejamento depende da espécie, idade, condição corporal, rotina, doenças associadas e quantidade de energia de que cada animal necessita.

“A melhor forma de tratamento para o emagrecimento é o compromisso dos responsáveis pelos animais, em fornecer uma alimentação adequada e controlada. Perder peso é uma forma de aumentar a qualidade de vida”, afirma Chayanne Silva Ferreira.

Além do controle da alimentação, a rotina pode incluir redução dos petiscos, atividades físicas compatíveis com a condição do animal e acompanhamento periódico do peso e do escore corporal.

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