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Trump não pretende apoiar reivindicação de Flávio Bolsonaro como líder do Brasil, diz Reuters

Flávio Bolsonaro (Foto: Globo/Manoella Mello)

Governo dos Estados Unidos não planeja endossar pretensão do senador, apesar de ter facilitado sua entrada no país; decisão pode mudar, segundo fontes ouvidas pela agência

Foto: Globo/Manoella Mello

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende apoiar a reivindicação do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ser o legítimo líder do Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (30) pela agência Reuters, com base em relatos de um funcionário norte-americano e de outra pessoa familiarizada com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.

A posição representa um distanciamento entre o apoio dado à entrada de Flávio e sua família nos Estados Unidos e a possibilidade de Washington respaldar politicamente a tentativa do senador de contestar o resultado das eleições brasileiras. Segundo as fontes, não há, neste momento, planos para apoiar suas ambições políticas, embora Trump possa mudar de posição.

O presidente norte-americano chegou a classificar a eleição brasileira como suspeita e afirmou que o pleito teve uma aparência ruim. Entretanto, também declarou que não havia apoiado nenhum candidato e disse manter uma relação cordial com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio declarou ser o legítimo líder do Brasil

Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro publicou uma carta aberta na rede social X na qual se declarou presidente eleito do Brasil. Posteriormente, retirou a primeira versão e publicou um novo texto, no qual passou a se apresentar como o legítimo líder do país.

O senador não reconheceu a vitória de Lula no segundo turno, realizado em 25 de outubro. O petista venceu a disputa por uma diferença de 3,5 pontos percentuais.

A postura de Flávio ocorre em meio à contestação do resultado eleitoral e às críticas de aliados do parlamentar à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o processo eleitoral.

Autoridades dos EUA ajudaram na viagem

A reportagem da Reuters também detalha a participação de integrantes do governo norte-americano na chegada de Flávio e de seus familiares aos Estados Unidos.

Segundo uma das fontes ouvidas pela agência, Jason Miller, conselheiro de Trump próximo à família Bolsonaro, ajudou a organizar o voo que partiu da Argentina. Durante o deslocamento, o secretário de Estado Marco Rubio recomendou ao presidente norte-americano que autorizasse a entrada do senador e de seus familiares.

As autoridades dos Estados Unidos concederam ao grupo o chamado humanitarian parole, uma autorização temporária de entrada no país utilizada em situações de interesse público significativo ou de urgência humanitária. A medida não equivale, por si só, à concessão de residência permanente ou a um reconhecimento político.

A viagem ocorreu após Flávio deixar o Brasil, passar pela Argentina e fazer uma escala no Equador antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da mulher e das duas filhas.

Saída do Brasil ocorreu após decisão do STF

Flávio deixou o território brasileiro depois de uma determinação judicial que ordenou a entrega de seus passaportes. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no contexto de investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

O senador nega irregularidades. Segundo a Reuters, a saída do país ocorreu após a ordem judicial e antes de ele cumprir a determinação de entregar os documentos.

A viagem provocou questionamentos sobre como o parlamentar conseguiu atravessar a fronteira brasileira e chegar à Argentina sem que as autoridades de controle migratório brasileiras registrassem ou impedissem o deslocamento.

Mudança de posição pode evitar nova crise diplomática

A avaliação de que Trump não pretende apoiar a reivindicação de Flávio pode indicar uma tentativa da Casa Branca de evitar uma nova crise nas relações com o Brasil.

Nos últimos meses, os dois países enfrentaram tensões políticas e comerciais. A eleição brasileira também foi acompanhada de manifestações de integrantes do governo norte-americano em favor da candidatura de Flávio.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, a administração Trump pode estar buscando preservar a relação com o governo Lula, especialmente diante da necessidade de manter canais diplomáticos e comerciais entre as duas maiores economias das Américas.

A agência ressalta, entretanto, que a posição atual não representa uma decisão definitiva. Trump ainda poderia alterar sua postura em relação ao senador brasileiro.

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