A Chilli Beans, uma das principais redes brasileiras de óculos e acessórios, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 340 milhões em dívidas com instituições financeiras. O pedido foi protocolado na noite de sexta-feira (30), e o plano prevê mudanças nas condições de pagamento e um aporte de até R$ 50 milhões para ajudar na reestruturação da empresa.
A proposta foi alinhada com os principais credores da companhia. Itaú, Akron e Vega participam da operação como financiadores âncoras e coordenam a entrada dos novos recursos.
Segundo a empresa, a negociação envolve exclusivamente as dívidas financeiras. Os compromissos com fornecedores, funcionários e demais parceiros comerciais não fazem parte do acordo.
Plano prevê injeção de R$ 50 milhões
Além da renegociação dos R$ 340 milhões, o plano prevê um aporte de até R$ 50 milhões, financiado pelos próprios credores. O objetivo é fortalecer o caixa da companhia e criar condições para a continuidade das operações.
Em comunicado, o fundador e CEO da Chilli Beans, Caito Maia, reconheceu o momento difícil enfrentado pela empresa e pelo varejo brasileiro.
O empresário afirmou que a companhia passou por um período desafiador, mas demonstrou confiança na capacidade de reorganização do negócio. Ele também agradeceu o apoio recebido de consumidores e parceiros.
Dificuldades financeiras começaram na pandemia
Em agosto, Caito Maia já havia comentado publicamente sobre os problemas financeiros da empresa. Segundo o empresário, as dificuldades começaram durante a pandemia de Covid-19 e se intensificaram nos anos seguintes.
Entre os fatores que pressionaram as contas estão o aumento dos juros e as dificuldades enfrentadas por parte dos franqueados. O cenário elevou os custos financeiros e afetou o fluxo de recursos da rede.
A empresa, no entanto, não detalhou oficialmente todas as razões que levaram ao acúmulo da dívida de R$ 340 milhões no comunicado sobre o pedido.
Marca mantém lojas e planos de expansão
Apesar do processo de reestruturação, a Chilli Beans continua em funcionamento e mantém seus planos de expansão. A rede possui cerca de 900 franquias no Brasil e está presente em mais de 14 países.
Somente em outubro, a companhia abriu nove pontos de venda no Brasil e outras quatro unidades na América do Sul.
Fundada por Caito Maia em 1997, a marca se consolidou no mercado de óculos, relógios e acessórios e se prepara para completar 30 anos de história em 2027.
