Fantasias, abóboras, maquiagem, caça aos doces e festas que atravessam a madrugada. O Halloween deixou de ser uma comemoração restrita a escolas de idiomas e festas particulares para ocupar ruas, shoppings, centros culturais, bares e casas noturnas em diferentes regiões do Brasil. Neste sábado (31), o Dia das Bruxas chega a 2026 com programação espalhada pelo país e impacto cada vez maior também no comércio.
Um levantamento do guia TocaOnde identificou 725 festas e shows relacionados ao Halloween em 244 cidades de 25 estados, sem contar São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Somente na capital paulista foram catalogados outros 117 eventos, enquanto o Rio apareceu com 43. Ao menos 290 atrações fora das duas capitais anunciaram concursos de fantasias.
O crescimento também aparece no caixa das empresas. Pesquisa do Sebrae-SP com 1.034 pequenos negócios apontou que 68% dos estabelecimentos que esperam impacto positivo do Halloween projetavam aumento nas vendas neste ano. Entre os empresários que investiram na data em 2025, 55% registraram crescimento no faturamento e metade informou aumento no número de clientes.
“O Halloween ganhou novas categorias no Brasil. Marcas de decoração, beleza, alimentos e experiências estão criando produtos temáticos”, afirmou Alejandro Vázquez, cofundador e presidente da Nuvemshop.
Halloween vai além das fantasias
O comportamento de consumo também mudou.
Dados da Nuvemshop mostram que as vendas de produtos relacionados ao Halloween cresceram 26% no comércio eletrônico brasileiro em relação a 2025 e 81% em dois anos. Entre 1º e 14 de outubro, o ticket médio chegou a R$ 296,96. O Pix respondeu por 52% das compras.
Fantasias e acessórios, que concentravam 69% das vendas temáticas em 2025, passaram a representar 41% neste ano. Decoração, doces, papelaria, itens de beleza e experiências responderam pelos outros 59%.
No Distrito Federal, 85% dos lojistas ouvidos pelo Instituto Fecomércio-DF esperavam crescimento entre 5% e 20% nas vendas em comparação com o ano passado. Em 2025, eram 74%. Entre os entrevistados, 63% disseram perceber aumento no interesse pelo Halloween nos últimos três anos.
A pesquisa mostrou ainda que 51% projetavam gasto médio entre R$ 51 e R$ 100 por cliente, enquanto 43% esperavam compras entre R$ 101 e R$ 150.
Os preços, porém, também avançaram. Para 84% dos lojistas consultados no Distrito Federal, os artigos de Halloween ficaram entre 5% e 15% mais caros em 2026.
São Paulo leva o terror para espaços públicos
Em São Paulo, a comemoração também entrou oficialmente na agenda cultural da cidade.
A Prefeitura preparou neste sábado uma programação gratuita com cinema, performances, festas e exposições. O Centro Cultural São Paulo recebe sessões de filmes de terror e uma performance temática, enquanto a Casa de Cultura Brasilândia foi transformada em um espaço imersivo com o projeto “Morada dos Monstros”.
A Spcine Play também montou uma seleção dedicada a José Mojica Marins, o Zé do Caixão, com títulos como “À Meia-Noite Levarei Sua Alma” e “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”.
Shoppings, parques e bairros aderiram à data. Caças aos doces, oficinas, concursos de fantasias e experiências de terror aparecem em praticamente todas as regiões da capital. Há atrações gratuitas e programas pagos que chegam a superar R$ 100 por pessoa.
Em Goiânia (GO), a programação também ganhou escala. A agenda local contabilizou 21 festas e shows temáticos entre 31 de outubro e 2 de novembro, com casas oferecendo até R$ 3 mil em prêmios para concursos de caracterização.
Das crianças às festas adultas
O Halloween brasileiro também deixou de ser exclusivamente infantil.
Durante o dia, predominam caça aos doces, fantasias e atividades voltadas às famílias. À noite, bares, clubes e casas de eventos transformam a data em oportunidade para festas temáticas.
Pesquisa divulgada em outubro mostra que doces estão entre os principais itens comprados por quem pretende comemorar, citados por 79% dos entrevistados. Decoração apareceu com 69% e fantasias, com 66%.
Em Brasília, 70% dos comerciantes ouvidos disseram atender tanto jovens e adultos comprando itens para si quanto pais em busca de produtos para os filhos.
A popularização tem relação com a influência do cinema, da televisão e da cultura norte-americana, mas a festa adquiriu características próprias no Brasil, misturando personagens internacionais com figuras do terror e do imaginário nacional.
Zé do Caixão, por exemplo, aparece ao lado de bruxas, vampiros, palhaços e personagens de filmes estrangeiros em festas e atrações.
