A Bolívia entrou em estado de emergência nacional no sábado (31) para enfrentar uma combinação de seca severa e risco crescente de enchentes associadas ao atual episódio de El Niño. A decisão foi anunciada pelo presidente Rodrigo Paz e permite ao governo ampliar recursos financeiros e mobilizar equipes de emergência para as regiões mais afetadas.
Dados divulgados pela Defesa Civil boliviana indicam que a seca já atingiu mais de 78 mil famílias em seis dos nove departamentos do país. As perdas incluem mais de 75 mil cabeças de gado, além de prejuízos à produção agrícola e ao abastecimento de água.
“Fizemos um trabalho enorme para preservar o meio ambiente e para que o efeito neste ano do Super El Niño seja o mínimo possível”, afirmou Rodrigo Paz em pronunciamento à nação.
A expressão “Super El Niño” vem sendo utilizada por governos e veículos de comunicação para descrever a intensidade do episódio atual. A Organização Meteorológica Mundial, porém, não utiliza oficialmente essa classificação. A entidade trata os eventos pela intensidade do aquecimento do Pacífico e pelos efeitos esperados sobre chuva e temperatura.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam acima da temperatura média por um período prolongado. A alteração interfere na circulação atmosférica e modifica o regime de chuvas em diferentes continentes.
A OMM registrou rápida elevação das temperaturas do Pacífico Equatorial a partir de maio de 2026, depois de um período de La Niña entre o fim de 2025 e o início deste ano.
Em setembro, especialistas já alertavam que o episódio poderia se intensificar até o fim de 2026. A Reuters informou que eventos muito fortes de El Niño podem provocar secas em algumas regiões e precipitações acima da média em outras, além de impactos sobre agricultura, energia, transporte e preços de alimentos.
Na América do Sul, os efeitos não são uniformes. Áreas do Cono Sul podem registrar aumento de chuvas e inundações, enquanto outras regiões enfrentam déficit hídrico prolongado.
No Brasil, episódios de El Niño historicamente estão associados a maior volume de chuvas no Sul e redução das precipitações em partes do Norte e Nordeste, além de temperaturas mais elevadas em diferentes regiões.
