Uma figura esquelética de 33,411 metros — altura equivalente a um prédio de cerca de 11 andares — ocupa o Zócalo da Cidade do México durante as celebrações do Dia dos Mortos. A escultura recebeu a certificação do Guinness World Records como a Catrina mais alta do mundo e tornou-se o principal elemento da Ofrenda Monumental montada no coração da capital mexicana.
A obra foi produzida pelo Taller de Arte Xibalbá e exigiu cerca de nove meses de planejamento e uma semana de montagem, com a participação de aproximadamente 180 profissionais, entre artistas, arquitetos, engenheiros, serralheiros, pintores e artesãos. Ao redor da estrutura foram colocadas cerca de 70 mil flores de cempasúchil e 66 esculturas de ajolotes.
“Com uma cifra oficial de 33,411 metros, posso dizer que vocês são oficialmente incríveis”, anunciou Alfredo Arista, representante do Guinness, durante a certificação. A marca superou o recorde anterior de Puerto Vallarta, que havia instalado uma Catrina de 28,15 metros.
A chefe de Governo da Cidade do México, Clara Brugada, definiu o Dia dos Mortos como “uma rebelião amorosa contra o esquecimento”. A presidente Claudia Sheinbaum também destacou neste ano a origem cultural da celebração. “É uma concepção da morte como parte da vida”, afirmou ao explicar a tradição mexicana de receber simbolicamente os antepassados nos dias 1º e 2 de novembro.
A personagem nasceu bem menor. No início do século XX, o gravador mexicano José Guadalupe Posada criou a Calavera Garbancera, um esqueleto feminino usando um elegante chapéu europeu. O desenho funcionava como crítica social aos mexicanos de origem indígena que tentavam reproduzir costumes europeus e rejeitavam suas próprias raízes.
Décadas depois, Diego Rivera incorporou a personagem ao mural Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central, concluído em 1947. Rivera deu à figura o vestido sofisticado com que ficou conhecida e popularizou o nome La Catrina. Com o tempo, ela deixou de representar apenas uma sátira sobre classes sociais para se transformar em um dos principais símbolos visuais do México.
Por que os mexicanos celebram os mortos?
O Dia dos Mortos combina tradições de povos originários da Mesoamérica com elementos introduzidos pelo catolicismo após a colonização espanhola. Em vez de tratar a morte exclusivamente como ausência, famílias montam altares com fotografias, velas, comidas preferidas dos mortos, papel picado, água, incenso e flores de cempasúchil para lembrar parentes e amigos. Em 2008, a celebração foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A dimensão cultural também ganhou peso econômico. Para a temporada de 2026, o governo mexicano estimou mais de 2,5 milhões de visitantes, sendo mais de 1,5 milhão de turistas, com ocupação hoteleira entre 70% e 80% nos principais destinos relacionados às celebrações.
A Catrina recordista ficará exposta gratuitamente no Zócalo até segunda-feira (2), cercada pela Ofrenda Monumental, flores de cempasúchil, esculturas e iluminação especial no Centro Histórico da Cidade do México.
